sexta-feira

Os esquilos Danilos e a ponte nova, de António Torrado


Os esquilos Danilos e a ponte nova

Os dois esquilos Danilos - Danilo Pai e Danilo Filho - são muito viajados.
Numa das suas viagens, tiveram de atravessar um rio. Quando chegaram à ponte e viram a ponte partida, não desanimaram.
- Por aí adiante, mais coisa menos coisa, deve haver outra ponte nova - lembrou-se um dos esquilos Danilos.
E foram à procura da ponte. Só que, por azar, não tomaram o caminho certo. Foram no sentido contrário.
Quando passaram por uma rã, perguntaram-lhe:
- Sabe onde fica a ponte nova?
- Ponte? É coisa de que não preciso - e a rã saltou para a água.
Depois encontraram um sapo e perguntaram-lhe:
- Sabe onde fica a ponte nova?
- Por aí... Por aí... - respondeu o sapo, quase sem fechar a boca.
O sapo estava de língua estendida, à espera de que algum mosquito nela poisasse, e não lhe convinha muita conversa.
Depois encontraram um grilo e perguntaram-lhe:
- Sabe onde fica a ponte nova?
- Ponte nova, ponte nova
quem não sabe não se assoa.
Dão-me tema e faço a trova
nem que a rima seja à toa.

Ponte nova, ponte nova
pontapé e ponto-de-cruz
quem tais versos não aprova
cai no chão e catrapus!

Do grilo poeta também não levavam nada. E como já estavam cansados de andar pela margem do rio, os dois esquilos Danilos - Danilo Pai e Danilo Filho - decidiram fazer uma jangada. Juntaram umas canas, amarraram-nas com raízes e saltaram-lhe para cima.
A princípio não houve novidade, mas como a corrente do rio era cada vez mais forte, os dois esquilos perderam o domínio da jangada.
- Socorro! - gritavam. - Atirem-nos uma corda.
Da margem, o grilo, indiferente ao pedido, fazia versos:
- Uma corda ou um cordel
um cordel ou uma cordinha
quem tem lápis, tem papel
quem não tem, é porque tinha...
- Socorro! - gritavam, depois, para o sapo na margem. - Uma corda...
- Por aí... Por aí... - respondeu o sapo, sem se mexer, e quase sem fechar a boca.
- Socorro! - gritavam para a rã, pouco depois. - Lance-nos uma corda.
- Uma corda? Nunca precisei de tal coisa! - e a rã mergulhou.
Passaram a seguir, a toda a velocidade, pelo meio da velha ponte destroçada, e mais adiante deram finalmente com a ponte nova. De um salto - porque os dois esquilos Danilos eram ágeis - agarraram-se à ponte e treparam para o tabuleiro. A jangada, essa, continuou correndo, ao sabor da corrente...
- Conseguimos - exclamou o Danilo Filho para o Danilo Pai, enquanto se sacudia da água.
- Mais coisa menos coisa, conseguimos sempre - aprovou o Danilo Pai, alisando o pêlo.
E os dois esquilos Danilos prosseguiram viagem.


António Torrado

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