terça-feira

Rei bico-de-tordo, contos dos irmãos Grimm


Rei bico-de-tordo
contos dos irmãos Grimm

Um Rei tinha uma filha que era linda além de qualquer medida, mas que era tão orgulhosa e arrogante que nenhum pretendente era bom o suficiente para ela. Ela mandou embora um após o outro, assim como os ridicularizava.
Certa vez o Rei fez um grande banquete e convidou então, de longe e de perto, todos os jovens que pudessem casar. Eles estavam todos organizados em uma linha de acordo com seus níveis e reputação; primeiro vieram os reis, então os grão-duques, então os príncipes, condes, barões, e os gentios. Então a filha do rei passou pelas fileiras, mas para cada um ela tinha alguma objeção para fazer; um era muito gordo, "O barril de vinho", ela disse. Outro era muito alto, "longo e magro com pouco dentro." O terceiro era muito baixo, "pequeno e grosso nunca é rápido." O quarto era muito pálido, "Tão pálido quanto a morte." O quinto era muito ruivo, "Um galo de briga." O sexto não era direito o suficiente, "Um galho verde seco atrás do fogão."
Então ela tinha algo para dizer contra cada um, mas ela se fez especialmente agradável sobre o bom rei que estava quieto bem no final da fila, e cujo queixo cresceu um pouco curvo. "Bem," ela gritou e riu, "ele tem um queixo parecido com uma bico-de-tordo!" e a partir de então ele ganhou o apelido de Rei bico-de-tordo.
Mas o velho Rei, quando viu que sua filha não fazia nada além de zombar das pessoas, e desdenhava todos os pretendentes que havia reunido ali, ficou com muita raiva, e jurou que ela teria como seu marido o primeiro mendigo que viesse a sua porta.
Alguns dias depois um violinista veio e cantou abaixo da janela, tentando ganhar um pouco de esmola. Quando o Rei ouviu ele, disse, "Deixe-o entrar." Então o violinista veio, com sua sujeira, roupas rasgadas, e cantou diante do Rei e sua filha, e quando ele terminou pediu por um presente insignificante. O Rei então disse, "Sua música me agradou tanto que eu te darei minha filha aqui, como esposa."
A filha do Rei estremeceu, mas o Rei disse, "Eu fiz um juramento de te dar para o primeiro mendigo que aparecesse, e vou manter minha palavra." Tudo que ela dizia era em vão; o padre foi trazido, e ela teve que se deixar casar ao violinista na mesma hora. Quando estava terminado o Rei disse, "Agora não é apropriado para você, uma mendiga, permanecer mais no meu palácio, você pode ir agora com o seu marido."
O mendigo a levou para fora pela mão, e ela foi obrigada a andar a pé com ele. Quando eles chegaram a uma grande floresta ela perguntou, "A quem pertence esta bela floresta?" "Pertence ao Rei bico-de-tordo; se o tivesse tomado como marido, ela teria sido sua." "Ah, que garota infeliz que sou, se tivesse escolhido o Rei bico-de-tordo!"
Logo depois eles chegaram a uma campina, e ela perguntou de novo, "A quem pertence esta bela e verde campina?" "Pertence ao Rei bico-de-tordo; se o tivesse tomado como marido, ela teria sido sua." "Ah, que garota infeliz que sou, se tivesse escolhido o Rei bico-de-tordo!"
Então eles chegaram a uma grande cidade, e ela perguntou de novo, "A quem pertence esta bela grande cidade?" "Pertence ao Rei bico-de-tordo; se o tivesse tomado como marido, ela teria sido sua." "Ah, que garota infeliz que sou, se tivesse escolhido o Rei bico-de-tordo!"
"Não me agrada," disse o violinista, "ouvir você sempre desejar por outro marido; não sou bom o suficiente para você?" Por fim eles chegaram a uma pequena cabana, e ela disse, "Oh, meu deus! que casa pequena; a quem pertence esta barraca miserável de segunda categoria?" O violinista respondeu, "Esta é minha casa e sua, onde nós viveremos juntos."
Ela teve que se inclinar para poder passar pela porta. "Onde estão os criados?" disse a filha do Rei. "Que criados?" respondeu o mendigo; "você deve fazer por conta própria o que quiser que seja feito. Apenas acenda o fogo de uma vez, e coloque água para cozinhar minha sopa pois estou muito cansado." Mas a filha do Rei não sabia nada sobre acender o fogo ou cozinhar, e o mendigo teve que ajudá-la para conseguir qualquer coisa bem feita. Quando terminaram a escassa refeição eles foram para a cama; mas ele a forçou a acordar bem cedo de manhã para cuidar da casa.
Por alguns dias eles viveram deste jeito tão bem quanto podia, e veio então o fim de todas as suas provisões. Então o homem disse, "Mulher, não podemos seguir mais comendo e bebendo aqui sem ganhar nada. Teça algumas cestas." Ele saiu, cortou alguns salgueiros, e os trouxe para casa. Então ela começou a tecer, mas os salgueiros duros machucaram suas delicadas mãos.
"Vejo que isto não funcionará," disse o homem; "melhor você fiar, talvez consiga fazer melhor." Ela sentou e tentou fiar, mas o duro fio cortou seus dedos macios fazendo o sangue escorrer. "Veja," disse o homem, "você não serve para nenhum tipo de trabalho; Fiz uma barganha ruim por você. Agora vou tentar fazer algum negócio com os potes e cerâmicas; você deve se sentar no mercado e tentar vendê-las." "Ai de mim," ela pensou, "se qualquer pessoa do reino de meu pai vier ao mercado e me ver sentada lá, vendendo, como eles irão zombar de mim?" Mas não houve jeito, ela tinha que ir exceto se quisesse morrer de fome.
Pela primeira vez ela foi bem sucedida, pois as pessoas ficaram satisfeitas de comprar cerâmicasde uma mulher e ela era muito bonita, e pagavam o que ela pedia; muitos inclusive davam o dinheiro e deixavam os potes com ela também. Então eles viveram com o que ela ganhara enquanto durou, então o marido comprou um novo lote de cerâmica. Com estes ela sentou na esquina do mercado, e ajeitou a sua volta pronta para começar a vender. Mas de repente veio um ladrão de estradas bêbado galopando ao longe, e ele cavalgou entre os potes quebrando todos em mil pedaços. Ela começou a chorar, e não sabia o que fazer por medo. "Ai de mim! o que acontecerá comigo?" ela gritou; "o que meu marido dirá disso?"
Ela correu para casa e contou a ele sua falta de sorte. "Quem se sentaria na esquina do mercado com cerâmicas?" disse o homem; "para de chorar, vejo muito bem que você não pode fazer um trabalho comum, então fui ao palácio de nosso Rei e pedi se eles não teria um lugar para uma empregada na cozinha, e eles prometeram aceitar você; deste jeito irá conseguir comida de graça."
A filha do Rei era agora empregada na cozinha, e tinha que estar a disposição do cozinheiro, e fazer o trabalho mais sujo. Em seus bolsos ela prendeu um pequeno pote, no qual ela levava para casa sua parte dos restos, e com estes eles viviam.
Aconteceu que o casamento do filho mais velho do Rei iria ser celebrado, e a pobre mulher subiu e foi até a porta do salão para observar. Quando todos as velas foram acesas, e pessoas, cada uma mais bonita que a outra, entraram, e tudo estava cheio de glória e esplendor, ela pensou na sua sorte com o coração triste, e amaldiçoou o orgulho e arrogância que a humilhou e a trouxe para tamanha pobreza.
O cheiro delicioso dos pratos que estavam sendo trazidos pra dentro e fora alcançaram ela, e agora e então os empregados jogaram para ela alguns pedaços deles: estes ela guardou nos potes e levou para casa.
De repente o filho mais velho do Rei entro, vestido em veludo e seda, com uma corrente de ouro em seu pescoço. E quando ele viu a bela mulher em pé perto da porta ele a segurou pela mão, e a teria levado para dançar; mas ela se recusou e recuou com medo, porque ela viu que era o Rei bico-de-tordo, seu pretendente que ela havia repudiado com escárnio. Seu esforço foi em vão, e ele a levou para o salão; mas o barbante pelo qual seus bolsos estavam pendurados partiu, e os potes caíram, a sopa escorreu, e as migalhas se esparramaram. E quando as pessoas viram, houve uma risada e zombaria geral, e ela ficou tão envergonhada que preferia estar mil vezes num buraco abaixo do chão. Ela saltou em direção a porta e teria fugido, mas nas escadas um homem a segurou e trouxe de volta; e quando olhou para ele era o Rei bico-de-tordo novamente. Ele disse a ela gentilmente, "Não tenha medo, sou o violinista com quem tem vivido naquela cabana miserável. Por amor a você me disfarcei assim; e também fui o ladrão de estradas bêbado que cavalgou entre a cerâmica. Tudo isto foi feito para seu espírito orgulhoso, e para puni-la pela insolência com o qual você zombou de mim."

Então ela chorou amargamente e disse, "Fiz muito errado, e não sou digna de ser sua esposa." Mas ele disse, "Console-se, os dias ruins estão no passado; agora nós vamos celebrar nosso casamento." Então as damas de companhia vieram e a colocaram numa roupa esplêndida, e seu pai e toda a sua corte vieram e desejaram sua felicidade pelo seu casamento com o Rei bico-de-tordo, e a alegria começou a sério. Gostaria que eu e você estivéssemos lá também.

O pássaro voador, contos dos irmãos Grimm


O pássaro voador
contos dos irmãos Grimm

Era uma vez um guarda florestal que foi à floresta para caçar, e assim que entrou na floresta ele ouviu o som de alguém gritando como se uma criança estivesse por ali. Ele seguiu os ecos do som, até que chegou perto de uma árvore muito alta, e no topo da árvore havia uma criança sentada, pois a mãe havia adormecido debaixo da árvore com a criança, e uma ave de rapina, tendo visto a criança em seus braços, desceu voando, e a levou embora, pousando no topo da árvore.
O guarda florestal subiu até o topo, desceu a criança, e pensou consigo mesmo: “Você irá levar esta criança para casa, e vai educá-la junto com a sua pequena Lina.” Ele a levou para casa, portanto, e as duas crianças cresceram juntas. E a pequenina, que ele encontrou em cima da árvore ele deu o nome de Fundevogel, porque um pássaro a havia levado embora. Fundevogel e Lina amavam-se com tanto carinho que quando um não via o outro eles ficavam tristes.
E aconteceu que o guarda florestal tinha uma velha cozinheira, que uma noite pegou dois baldes e foi buscar água, e não foi buscar somente uma vez, mas várias vezes, foi até a fonte. Lina viu isto e disse, “Ouça, minha velha Sanna, porque você está buscando tanta água?” “Se você nunca contar isto para ninguém, eu lhe direi porque.” Então, Lina disse, não, eu jamais contaria isto para ninguém, e então, a cozinheira falou: “Amanhã de manhã bem cedo, quando o guarda florestal tiver saído para caçar, eu vou aquecer bastante água, e quando ela estiver fervendo dentro da chaleira, eu vou jogá-la sobre o Fundevogel, e vou cozinhá-lo na água fervendo.”
Na manhã seguinte, bem cedinho, o guarda florestal se levantou e saiu para caçar, e quando ele tinha saído as crianças ainda estavam na cama. Então, Lina disse para o Fundevogel: “Se você nunca me deixar, eu nunca te deixarei também.” Fundevogel falou: “Nem agora, nem nunca eu te deixarei.” Então, Lina disse: “Então, preciso lhe contar uma coisa. Na noite passada, a velha Sanna carregou tantos baldes de água para casa que eu perguntei a ela porque estava fazendo aquilo, e ela me pediu para que eu prometesse não contar nada para ninguém, e ela disse que no dia seguinte, bem cedo de manhã, quando o nosso pai tivesse saído para caçar, ela iria pegar um balde cheio de água, jogaria você dentro dele e cozinharia você; mas nós vamos nos levantar rapidamente, vamos nos vestir, e fugiremos juntos.”
Então, as duas crianças se levantaram, se vestiram rapidamente, e foram embora. Quando a água estava fervendo dentro da chaleira, a cozinheira entrou no quarto para buscar Fundevogel e jogá-lo dentro dela. Mas quando ela entrou no quarto, e foi até as camas, as duas crianças já não estavam mais lá. Então, ela ficou muito preocupada, e falou consigo mesma: “O que é que eu vou dizer agora quando o guarda florestal chegar em casa e ver que as crianças sumiram? Preciso procurá-las imediatamente para trazê-las de volta para casa.”
Então, a cozinheira mandou que três criadas fossem atrás delas, as quais deviam se apressar e trazer as crianças. As crianças, contudo, ficaram sentadas fora da floresta, e quando elas viram de longe as três criadas correndo, Lina disse para Fundevogel: “Jamais me abandone, e eu jamais te abandonarei.” Fundevogel falou: “Nem agora, nem nunca.” Então, Lina disse: “Você se transforma numa roseira, e eu serei a rosa da roseira.” Quando as três criadas chegaram à floresta, não havia nada ali com exceção de uma roseira e de uma rosa em cima da roseira, mas as crianças não estavam em lugar algum.
Então, elas disseram: “Não temos mais nada a fazer aqui,” e elas voltaram para casa e disseram para a cozinheira que elas não tinham visto nada na floresta, apenas uma pequena roseira com uma rosa em cima dela. Então, a velha cozinheira as repreendeu e disse: “Suas tolas, vocês deveriam ter cortado a roseira em duas partes, deviam ter arrancado a rosa e trazido ela para casa com vocês; vão, e façam isso imediatamente.” Então, elas tiveram que sair e procurar pela segunda vez. As crianças, no entanto, viram quando elas estavam chegando à distância. Então, Lina falou: “Fundevogel, nunca me abandone, e eu nunca te abandonarei.” Fundevogel falou: “Nem agora, nem nunca.” Disse Lina: “Então, transforme-se numa igreja, e eu serei o candelabro da igreja.”
Então, quando as três criadas chegaram, não havia nada ali, além de uma igreja com um candelabro. Então, as criadas disseram uma para a outra: “Não há nada para fazer aqui, vamos voltar para casa.” Quando elas chegaram em casa, a cozinheira perguntou se elas haviam encontrado as crianças; então, elas disseram que não, elas não tinham visto nada, apenas uma igreja, e havia um candelabro dentro da igreja. A cozinheira então as repreendeu e disse: “Suas tolas! porque vocês não reduziram a igreja a destroços, e trouxeram o candelabro com vocês para casa?” Então, a velha cozinheira saiu ela mesma, e foi com as três criadas a procura das crianças. As crianças, todavia, viram de longe que as três criadas estavam chegando, e a cozinheira vinha correndo atrás delas.

Então, disse Lina: “Fundevogel, nunca me abandone, e eu nunca te abandonarei.” Então, Fundevogel falou: “Nem agora e nem nunca.” Disse Lina: “Transforme-se numa lagoa de peixes, e eu serei um patinho brincando ao redor da lagoa.” A cozinheira, entretanto, chegou perto deles, e quando ela viu a lagoa, ela se curvou diante da lagoa, e ia beber um pouco de água. Mas o pato nadou rapidamente até ela, pegou a cabeça dela com o bico e a empurrou para dentro da água, e lá a velha bruxa morreu afogada. Então, as crianças foram juntas para casa, e elas estavam muito felizes, porque eles não morreram, e ainda estavam vivas.

A bela adormecida, contos dos irmãos Grimm


A bela adormecida
contos dos irmãos Grimm

Há muito tempo atrás havia um Rei e uma Rainha que diziam todos os dias,
Ah, se nós tivéssemos uma criança! mas eles nunca tiveram uma. Aconteceu uma vez, quando a Rainha estava tomando banho, um sapo pulou para fora da água, saltou para a terra e disse para ela,
Seu desejo será realizado, antes que se passe um ano você terá uma filha.
O que o sapo tinha dito, aconteceu, e a Rainha teve a pequena menina que era tão linda que o Rei não podia se conter de felicidade e ordenou que uma grande festa fosse realizada. Ele convidou não somente seus parentes, amigos e familiares mas também as Fadas Madrinhas, para que elas pudessem ser gentis e agradáveis com a criança. Havia treze delas em seu reino, porém, como ele só tinha doze pratos dourados para comer, uma delas não foi convidada.
A festa foi realizada com todo esplendor, e quando chegou no final as Fadas Madrinhas concederam presentes mágicos ao bebê: uma ofereceu virtude, a outra beleza, a terceira riqueza e assim por diante com tudo no mundo que uma pessoa poderia desejar.

Quando onze delas já tinham cumprido suas promessas, de repente a décima terceira apareceu.
Ela queria se vingar por não ter sido convidada, e sem cumprimentar qualquer pessoa, ou olhar para ninguém, gritou em voz alta,
A filha do Rei deverá em seu décimo quinto aniversário picar o dedo com um fuso e cairá morta. E, sem dizer mais nenhuma palavra, virou-se e se retirou do local.
Todos ficaram chocados, mas a décima segunda, que ainda não havia oferecido o seu presente, adiantou-se e como não podia desfazer a maldição, mas, somente amenizá-la, disse,
Não será a morte, mas um sono profundo que durará cem anos, é o que acontecerá à princesa.
O Rei, que estava disposto a afastar a sua querida filha de tal maldição, deu ordens para que todo fuso do reino fosse destruída. Enquanto isso, os desejos das Fadas Madrinhas foram todos cumpridos para a jovem menina, porque ela era tão bela, modesta, de bom caráter e sábia que todos que a viam se encantavam por ela.

Aconteceu que, bem no dia de seu décimo quinto aniversário, o Rei e a Rainha não estavam em casa, e a jovem foi deixada no palácio totalmente sozinha. Então ela foi a todos os tipos de lugares, olhou nas salas e nos dormitórios exatamente como queria e por fim chegou até a uma velha torre. Ela subiu uma estreita escada em caracol e alcançou uma pequena porta. Uma pequena chave enferrujada estava na tranca, e quando ela virou a porta se abriu, e ali na pequena sala estava sentada uma velhinha com um fuso, muito ocupada fiando seu linho.
Bom dia, minha senhora, disse a filha do Rei, — o que você está fazendo?
Estou fiando, disse a velha apontou com a cabeça.
Que tipo de coisa é isto, que fica chacoalhando tão alegremente? disse a garota, que pegou o fuso e queria fiar também. Porém, mal tocou o fuso e a maldição se realizou e ela picou o dedo no fuso.
No momento em que sentiu a picada, ela caiu sobre a cama e ali permaneceu, e caiu em sono profundo. E este sono se estendeu por todo o palácio, o Rei e a Rainha, que tinham acabado de voltar pra casa, entraram no grande salão e começaram a dormir, e toda a corte com eles. Os cavalos também dormiram nos estábulo, os cães nos quintais, os pombos nos telhados e as moscas nas paredes. Até o fogo que estava crepitando começou a ficar calmo e a se apagar, a carne assada deixada para fritar, e o cozinheiro, que estava para puxar o cabelo de um serviçal porque ele havia esquecido de algo, o deixou e começou a dormir. O vento parou e as árvores que ficavam diante do castelo nem uma folha voltou a se mover.
Porém, em torno do castelo começou a crescer uma cerca de espinhos, que aumentava a cada ano, e que por fim cresceu até cobrir quase todo o castelo e ao redor dele, e então nada mais podia ser visto, nem mesmo a bandeira que estava no telhado. Mas a história da bela adormecida — Rosa do espinho, pois assim ela era chamada, correu o país, e então, de tempos em tempos, príncipes vieram e tentaram atravessar a cerca de espinhos para entrar no castelo.
Mas eles descobriram que era impossível, porque os espinhos eram bem presos juntos, como se tivessem mãos e os jovens ficavam presos neles, e não conseguiam se soltar, e tinham uma morte lastimável.
Após muitos e muitos anos um príncipe veio novamente ao reino e ouviu a história de um velhinho que falava sobre a cerca de espinhos, e que um castelo ficava atrás dela, na qual dormia uma princesa maravilhosamente bela, cujo nome era Rosa dos Espinhos, e que estava dormindo há centenas de anos, bem como o Rei e a Rainha e toda a corte estavam dormindo também. Ele havia ouvido também, de seu avô, que muitos princípes já tinham vindo, e já haviam tentado atravessar a cerca de espinhos, mas eles foram espetados pela cerca de espinho, e tiveram uma morte lastimável. Então o jovem disse, — Eu não tenho medo e irei ver a bela adormecida. O velhinho tentou dissuadi-lo como pode, mas, ele não deu ouvido a suas palavras.
Mas por essa época, os cem anos já haviam se passado, e o dia havia chegado quando A Bela Adormecida devia acordar novamente. Quando o filho do rei se aproximou da cerca de espinhos, não havia nada, além de flores grandes e belas, que se abriam e se separavam umas das outras, tudo de maneira muito ordenada, deixando-o passar sem machucá-lo, depois elas voltavam a se fechar como um espinheiro. No pátio do castelo ele viu os cavalos e os cães malhados que estavam deitados, dormindo; no teto estavam os pombos com suas cabecinhas protegidas por suas asas.
E quando ele entrou no castelo, as moscas estavam dormindo na parede, o cozinheiro, que estava ainda na cozinha, levantava a mão para agarrar o menino, e a criada estava sentada perto da galinha preta a qual ela ia depenar.
Depois, ele continuou andando, e tudo estava tão silencioso que até o ruído da respiração podia ser ouvido, e ele finalmente chegou à torre, e abriu a porta que dava para o pequeno cômodo onde A Bela Adormecida estava dormindo. Lá estava ela, tão linda, que ele não conseguia desviar olhos dela, então ele parou e deu um beijo nela. Porém, assim que ele a beijou, A Bela Adormecida abriu os olhos, e acordou, e olhou para ele bem suavemente.
Depois os dois desceram juntos, e o rei acordou, depois a rainha, e toda a corte, e olhavam uns para os outros totalmente espantados. E os cavalos que estavam no pátio ficaram de pé e se balançavam uns para os outros, os cães saltavam, e abanavam seus rabinhos, os pombos no telhado desprotegeram suas cabecinhas que estavam debaixo de suas asas, olharam ao redor, e voaram livres para os campos, as moscas da parede começaram a andar novamente, o fogareiro da cozinha queimava e tremeluzia e cozinhava a comida, o assado começou a girar e a fritar novamente, e o cozinheiro deu um tamanho tapa nas orelhas do garoto que ele começou a chorar, e a criada depenou a galinha e a deixou pronta para assar.

E então o casamento do príncipe com a Bela Adormecida foi celebrado com todo esplendor, e eles viveram felizes até o fim de seus dias.

Os seis cisnes, contos dos irmãos Grimm


Os seis cisnes
contos dos irmãos Grimm

Era uma vez um rei que estava caçando numa imensa floresta, e ele caçava um animal selvagem com tanta vontade que nenhum dos que acompanhavam conseguiam segui-lo. Quando a noite chegou ele fez uma parada e olhou ao redor, e então, ele percebeu que ele havia perdido o seu caminho de volta.
Procurou uma saída, mas não encontrou nenhuma. Então, ele avistou uma velhinha que balançava a cabeça continuamente; ela era uma bruxa e vinha em direção a ele. — “Minha bondosa senhora,” o rei disse para ela, — “Será que a senhoria poderia me mostrar o caminho para eu sair da floresta?” — “Oh, sim, senhor rei,” respondeu ela, “lógico que eu posso, mas sob uma condição, e se não cumprires o prometido, jamais conseguirás sair da floresta, e morrerás de fome.”
— “E que condições são estas?” perguntou o rei.
— “Eu tenho uma filha,” disse a velhinha, “linda como não existe nenhuma outra no mundo, e muito digna de se tornar sua esposa, e se permitires que ela se torne sua Rainha, eu lhe mostrarei o caminho para sair da floresta.”
Como o rei estava angustiado, ele concordou, e a velhinha o conduziu para a sua pequena cabana, onde a filha dela estava sentada perto do fogo. Ela recebeu o rei como se ela estivesse esperando por ele, e ele constatou que ela era muito bonita, mesmo assim, ela não foi do seu agrado, e ele não conseguia olhar para ela, sem sentir um horror secreto. Depois de ele ter conduzido a jovem para o seu cavalo, a velhinha mostrou-lhe o caminho, e o rei voltou para o seu palácio novamente, onde foi celebrado o casamento.
O rei já havia se casado uma vez, e com a primeira esposa, ele teve sete filhos, seis meninos e uma menina, a quem ele amava mais do que tudo no mundo. Como ele temia que a madrasta poderia não tratar bem dos seus filhos agora, ou mesmo fazer-lhes algum mal, ele os levou para um castelo solitário que ficava no meio de uma floresta. Ele ficava tão escondido, e o caminho para encontrá-lo era tão difícil, que ele mesmo não conseguiria tê-lo encontrado, se uma fada não tivesse dado a ele um novelo com propriedades mágicas.
Quando ele soltava o novelo, ele se desenrolava e mostrava o caminho até o castelo. O rei, todavia, ia todos os dias visitar os seus filhos queridos na floresta que a Rainha começou a notar a sua ausência; ela ficou curiosa e queria saber o que ele fazia quando estava totalmente sozinho na floresta. Ela deu uma certa quantia em dinheiro para os seus criados, e eles contaram o segredo para ela, e contaram a ela também sobre o novelo mágico que sozinho poderia mostrar o caminho.
E então, ela não conseguiu ter mais sossego, até que ela descobriu onde o rei guardava o novelo, e então, ela fez camisas de seda branca, e como ela tinha aprendido a arte da bruxaria com a sua mãe, ela costurou um encanto dentro das camisas. E quando o rei havia saído para caçar, ela pegou as camisas de seda e foi para a floresta, e o novelo mostrou a ela o caminho. Os filhos, que viram de longe que alguém estava se aproximando, pensaram que o pai deles estava vindo visitá-los, e radiantes de alegria, correram para encontrar-se com ele.
Então, ela lançou uma camisa de seda sobre cada um deles, e mal as camisas haviam tocado seus corpos e eles foram transformados em cisnes, e voaram para longe da floresta. A Rainha voltou para casa feliz e realizada, e pensou que ela tivesse se livrado dos seus enteados, mas a menina não havia corrido com seus irmãos para encontrá-la, e a rainha nada sabia sobre ela. No dia seguinte o rei foi visitar os seus filhos, mas ele não encontrou ninguém além da garota.
— “Onde estão os teus irmãos?”, perguntou o rei.
— “Ah, meu pai,” respondeu a menina, — “eles foram embora e me deixaram sozinha!” e ela contou para ele que tinha visto da sua janelinha como os seus irmãos fugiram para a floresta transformados em cisnes, e ela mostrou a ele as penas, que eles tinham deixado cair no quintal, e que ela apanhou. O rei ficou triste, mas ele não pensou que a rainha tinha feito essa maldade, e como ele receava que a garota poderia também ser roubada dele, quis levá-la consigo. Mas a pequenina tinha medo da madrasta, e insistiu ao rei para deixá-la ficar apenas mais uma noite no castelo da floresta.
A pobre menina pensou: — “Não posso mais ficar aqui. Irei procurar os meus irmãos.” e quando a noite chegou, ela fugiu, e foi direto para a floresta. Ela caminhou a noite toda, e no dia seguinte também caminhou sem parar, até que ela não conseguiu continuar caminhando porque estava muito cansada. Então, ela encontrou uma cabana na floresta, e entrou dentro dela, e encontrou um quarto onde havia seis pequenas camas, mas ela não ousou deitar-se em uma delas, mas escondeu-se debaixo de uma das camas, e deitou-se no chão duro, pretendendo passar a noite ali.

Pouco antes do amanhecer, todavia, ela ouviu um barulho de asas batendo, e viu que seis cisnes vinham voando pela janela. Eles pousaram no chão e sopravam as plumas uns dos outros, e as suas penas de cisnes ficaram lisas como camisas. Então, a garotinha olhou para eles e ela reconheceu os seus irmãos, ficou contente e saiu debaixo da cama. Os irmãos também ficaram felizes em verem sua irmãzinha, mas a alegria deles teve curta duração. — “Aqui não podes morar,” disseram eles para ela.
— “Este é um esconderijo de ladrões, se eles chegarem em casa, e te encontrarem, eles te matarão.”
— “Mas vocês não podem me proteger?”, perguntou a irmãzinha.
— “Não,” responderam eles, somente durante quinze minutos por dia de cada noite nós podemos tirar as nossas plumas de cisnes e usar durante esse tempo a forma humana; depois disso, voltamos novamente a sermos cisnes.” A irmãzinha chorou e disse,
— “Vocês não conseguem se libertar?
— “Oh, não,” eles responderam, “as condições são muito difíceis! Durante seis anos não poderás falar nem sorrir, e durante esse tempo você deverá costurar seis camisas pequenas feitas de aster para nós. E se uma única palavra for pronunciada da sua boca, todo teu trabalho terá sido em vão.” E quando os irmãos tinham dito isto, os quinze minutos haviam passado, e eles voaram novamente pela janela como se fossem cisnes.
A garota porém, havia decidido resolutamente libertar os seus irmãos, mesmo que isto lhe custasse a própria vida. Ela saiu da cabana, foi para o meio da floresta, sentou-se numa árvore, e lá passou a noite. Na manhã seguinte, ela saiu para colher aster e começou a tecer.
Ela não poderia conversar com ninguém, tampouco poderia sorrir; ela ficou sentada ali e nada lhe interessava além do seu trabalho. Quando já fazia muito tempo que ela tinha passado ali, aconteceu que o rei daquele país estava caçando na floresta, e o seus companheiros de caça vieram até a árvore onde a garota estava sentada. Eles a chamaram e disseram:
— “Quem és tu?” Mas ela não falou nada.
— “Desça aqui com a gente,” disseram eles. — “Não vamos lhe fazer nenhum mal.” Ela apenas balançava a cabeça. Como eles a pressionavam com perguntas ela lançou seu colar de ouro para eles, e pensou que isso os deixaria satisfeitos. Eles, no entanto, não paravam, então, ela jogou sua cinta para eles, e isso também não adiantou nada, jogou também suas ligas e aos poucos tudo o que ela usava até que ela ficou só de blusa. Os caçadores, porém, não se tomaram por vencidos, mas subiram na árvore, desceram a menina e a levaram para o rei. O rei perguntou:
— “Quem és tu? O que estavas fazendo em cima da árvore?” Mas ela não respondia. O rei fez a pergunta em vários idiomas que ele conhecia, mas ela permanecia tão calada como um peixe. Como ela era muito linda, o coração do rei ficou encantado, e ele foi tomado por uma grande paixão por ela. Ele colocou nela a sua manta, levou-a em seu cavalo, e a conduziu para o seu castelo. Depois, ele mandou que ela se vestisse com roupas riquíssimas, e a beleza dela brilhava como um dia reluzente,
mas nenhuma palavra ele conseguia tirar dela. Ele a colocou ao seu lado, na mesa, e a sua postura humilde e educada o encantou tanto que ele disse:
— “Ela é a mulher com quem eu quero me casar, e não quero nenhuma outra.” E depois de alguns dias ele se uniu a ela.
Mas o rei tinha uma mãe perversa que não estava satisfeita com este casamento e falava mal da rainha.
— “Quem sabe,” disse ela, — “de onde veio essa garota que não sabe falar? Ela não é digna de um rei!”
Depois que um ano se passou, quando a rainha deu a luz ao seu primeiro filho no mundo, a velhinha tomou dela a criança, e manchou a boca dela de sangue enquanto ela dormia. Depois ela foi até o rei e acusou a rainha de ser uma devoradora de crianças. O rei não quis acreditar nisso, e não permitiu que ninguém fizesse nenhum mal a ela. Ela, no entanto, continuava sempre costurando as camisas, e não se preocupava com mais nada. No ano seguinte, quando ela deu a luz a um belo garoto, a falsa madrasta se utilizou do mesma maldade, mas o rei não aceitava acreditar nas palavras dela. Ele disse:
— “Ela é bondosa e meiga demais para fazer qualquer coisa desse tipo, se ela não fosse muda, e pudesse se defender, a sua inocência seria explicada.”
Mas quando a velhinha roubou o filho recém-nascido pela terceira vez, e acusou a rainha, que não proferia nenhuma palavra ou defesa, o rei não pode fazer nada senão entregá-la à justiça, e ela foi condenada a sofrer a morte na fogueira.

Quando chegou o dia para que a sentença fosse executada, esse era o último dia dos seis anos durante os quais ela não podia falar nem rir, e ela tinha libertado os seus queridos irmãos do poder do encantamento. As seis camisas estavam prontas, somente faltava a manga da sexta camisa. Quando, então, ela era levada para a fogueira, ela levava as camisas em seus braços, e quando ela se levantou e o fogo ia ser acendido, ela olhou ao redor e viu seis cisnes que vinham voando pelo ar em direção a ela. Então, ela percebeu que a sua libertação estava chegando, e seu coração pulava de alegria.
Os cisnes pousaram sobre ela e desceram de modo que ela podia lançar as camisas em cima deles, e a medida que eles eram tocados pelas camisas, suas plumas de cisnes se desfaziam e seus irmãos assumiam sua forma humana diante dela, e eles eram fortes e bonitos. Apenas o mais jovem lhe faltava o braço esquerdo, e tinha no lugar do braço uma asa de cisne em seu ombro. Eles se abraçaram e se beijaram, e a rainha foi até o rei, que estava muito emocionado, e ela começou a falar e disse:
— “Querido marido, agora eu posso falar e declarar para ti que sou inocente e fui acusada injustamente.”

E ela lhe contou toda a maldade que a velhinha havia levado embora os três filhos dela e os havia escondido. Então, para grande alegria do rei, eles foram encontrados e trazidos até ele, e como punição, a madrasta má foi colocada na fogueira e queimou até virar cinzas. Mas o rei e a rainha com seus seis irmãos viveram muitos anos feliz e em paz.

O velho sultão, contos dos irmãos Grimm


O velho sultão
contos dos irmãos Grimm

Um pastor tinha um cão muito fiel, chamado Sultão, que já estava muito velho, e havia perdido todos os dentes. E um dia, quando o pastor e a sua esposa estavam diante da casa, o pastor disse: "Vou matar o velho Sultão amanhã de manhã, porque ele não tem mais utilidade." Mas a sua esposa falou: "Pelo amor de Deus, deixe a pobre e fiel criatura viver, ele nos serviu durante tantos anos, e nós temos que oferecer a ele um jeito dele viver para o resto dos seus dias." "Mas o que poderemos fazer com ele?" disse o pastor, "ele não tem nem um dente na boca, e os ladrões nem se preocupam com ele mais, com certeza ele nos serviu muito, mas ele fazia isso para ganhar o seu sustento, amanhã será o último dia dele, e isso já está decidido.”
O pobre Sultão, que estava sentado perto deles, ouviu tudo o que o pastor e a sua esposa diziam um para o outro, e ficou muito assustado ao pensar que amanhã seria o seu último dia, então, à noite ele foi até o lobo, que era seu grande amigo, e que morava na floresta, e contou a ele todas as suas preocupações, e como o seu dono pretendia matá-lo na manhã seguinte. "Fique tranquilo," disse o lobo, "Eu vou lhe dar alguns bons conselhos. O seu dono, como você sabe, sai todas as manhãs bem cedinho com a esposa e vão para o campo, e eles costumam levar seu filhinho com eles, e o deixam atrás da sebe debaixo da sombra enquanto eles trabalham."
"Então, você deve ficar perto da criança, e fingir que a está vigiando, e eu vou sair da floresta e fugirei com ela, você deve correr atrás de mim o mais rápido que puder, então eu vou deixá-la cair, e você a levará de volta, e eles pensarão que você salvou a criança, e ficarão tão gratos a você que eles vão tomar conta de você enquanto viver." O cachorro achou que o plano era muito bom, e tudo ficou combinado. O lobo correu com a criança pelo caminho, o pastor e a sua esposa começaram a gritar, mas o Sultão logo o alcançou, e trouxe o pobrezinho de volta para o seu dono e a sua dona. Então, o pastor bateu levemente na sua cabeça, e disse: "O velho Sultão salvou a nossa criança do lobo, e portanto, ele viverá e nós tomaremos conta dele, e daremos muita comida para ele. Mulher, vá até lá em casa, e dê para ele um bom jantar, e deixe que ele durma na minha almofada velha enquanto ele viver." E então, desse dia em diante Sultão teve tudo o que sempre desejou.
Pouco depois, o lobo veio e lhe desejou felicidades, e disse: "Agora, meu bom amigo, você não precisa mais ficar contando histórias, apenas vire a cabeça para o outro lado quando eu quiser saborear uma das deliciosas e gordas ovelhas do velho pastor." "Não," disse o Sultão, "eu tenho que ser sincero para o meu dono." Todavia, o lobo achou que ele estava brincando, e uma noite ele se aproximou de uma deliciosa guloseima. Mas o Sultão tinha contado ao seu dono o que o lobo pretendia fazer, então o dono ficou esperando o lobo atrás da porta do celeiro, e quando o lobo estava distraído procurando uma ovelha bem gorda, ele levou uma porretada bem forte nas costas, que a sua crina ficou toda eriçada.
Então, o lobo ficou muito bravo, e chamou o Sultão de "velho trapaceiro" e jurou que ele se vingaria. Então, na manhã seguinte, o lobo mandou que o javali desafiasse o Sultão para que viesse até a floresta para resolver o problema. Agora, o Sultão não tinha ninguém para lhe apoiar, com exceção do gato com três pernas do velho pastor, então ele levou o gato consigo, e enquanto o coitadinho ia se lambendo com alguma dificuldade, o gato ia caminhando com a cauda levantada para o ar.
O lobo e o javali foram os primeiros a chegar, e quando eles espiaram os inimigos que estavam chegando, e viram a longa cauda do gato levantada no ar, eles acharam que ele estava carregando uma espada para o Sultão lutar, e cada vez que o gato de lambia, eles achavam que o gato estava pegando pedras para atirar neles, então eles disseram que eles não queriam mais esse tipo de luta, e o javali foi se esconder atrás de um arbusto, e o lobo pulou para cima de uma árvore. Sultão e o gato logo apareceram, e olharam ao redor e ficaram perguntando porque não havia ninguém ali.

O javali, todavia, não havia se escondido totalmente, pois as suas orelhas ficaram para fora do arbusto, e quando ele chacoalhou uma delas por um momento, o gato, vendo que algo estava se movendo, e pensando que fosse um rato, pulou em cima dele, e mordeu e arranhou, de modo que o javali saltou para fora e grunhia, e fugiu, e saiu gritando, "Olhe lá em cima da árvore, lá está o culpado." Então eles olharam para cima, e viram o lobo sentado no meio dos galhos, e eles o chamaram de "patife covarde", e não permitiram que ele descesse dali até que sentisse muita vergonha de si mesmo, e prometesse voltar a ser amigo do velho Sultão.

O pé de junípero, contos dos irmãos Grimm


O pé de junípero
contos dos irmãos Grimm

Já faz muito tempo, há quase dois mil anos atrás, quando havia um homem rico que tinha uma esposa linda e piedosa, e eles tinham muito amor um pelo outro. No entanto, eles não tinham filhos, apesar de desejarem muito, e a esposa rezava todos os dias e todas as noites para que isso acontecesse, mas esse dia nunca chegava.
Na frente da casa deles havia um pátio onde um pé de junípero havia nascido, e num dia de inverno a mulher estava sentada debaixo dele, descascando uma maçã, e quando ela estava descascando a maçã, ela cortou o dedo, e o sangue caiu sobre a neve.
— “Ah,” disse a mulher, e deu um suspiro profundo, e olhou para o sangue que estava saindo, e ficou muito triste, — “Ah, se eu tivesse um filho que fosse vermelho como o sangue e tão branco como a neve!” E enquanto ela falava isso, ela sentiu uma felicidade muito grande, e acreditou que isso ia mesmo acontecer.
Então, ela entrou dentro de casa e um mês se passou desde que a neve tinha ido embora, e dois meses se passaram e tudo ficou verde, e três meses se passaram e todas as flores começaram a brotar na terra, e quatro meses se passaram e todas as árvores ficaram mais altas e mais robustas, e os galhos verdes começavam a trançar uns nos outros, e as aves cantavam até que a floresta ecoava o canto dos pássaros e as brotos começavam a cair das árvores, então, cinco meses haviam se passado e ela continuava debaixo do pé de junípero, que tinha um cheiro tão perfumado, que o coração dela batia descompassadamente, e ela caiu de joelhos e não cabia em si de felicidade, e quando o sexto mês se passou, as frutas ficaram grandes e maduras, e ela sentia uma placidez incontrolável, e no sétimo mês, ela apanhou algumas frutas do pé de junípero e as devorou com avidez, depois ela se sentiu enjoada e ficou muito triste, e quando o oitavo mês tinha passado, ela chamou para que o seu marido viesse até ela, e disse, chorando: — “Se eu morrer, quero que me enterrem debaixo do pé de junípero.”
Então, ela se sentiu conformada e feliz até que o mês seguinte passou, e ela teve um filho que era tão branco como a neve e tão corado como o sangue, e quando ela olhou a criança ela ficou tão feliz e morreu.
Então, o seu marido a sepultou debaixo do pé de junípero, e ele começou a chorar profundamente, depois de algum tempo ele ficou mais calmo, e embora ele ainda chorasse a dor da perda da esposa, casou-se novamente tempos depois.
Com a segunda esposa ele teve uma filha, mas o filho da primeira esposa era um garoto, e ele era vermelho como o sangue e tão branco como a neve. Quando a mulher olhou para a sua filha ela teve muito amor pela criança, mas depois ela olhava para o menino e parecia que o seu coração estava cortado, pois ela pensava consigo mesma que ele estaria sempre no caminho dela, e ela começou a pensar numa maneira de como conseguiria fazer com que toda a fortuna ficasse para a sua filha, e o Coisa Ruim começou a encher a sua cabeça com esses tristes pensamentos até que ela ficou completamente indignada com o pequeno garoto, e batia e esbofeteava o pobrezinho, até que o pobre infeliz ficasse continuamente apavorado, pois quando ele chegava da escola ele não tinha paz em lugar nenhum.
Um dia a mulher foi até a cozinha, que ficava na parte de cima da casa, acompanhada da sua pequena filhinha, que disse: — “Mamãe, eu quero uma maçã.” — “Sim, minha filha,” disse a mulher, e lhe deu uma deliciosa maçã que ela tirou da cesta, mas a cesta de frutas tinha uma tampa que era muito pesada e uma trava de ferro grande e cortante.
— “Mãe,” disse a garotinha, “o meu irmão não vai querer comer uma maçã também?” Isso enfureceu a mulher, que disse: — “Sim, quando ele chegar da escola.” E quando ela viu pela janela que ele estava chegando, era como se o demônio estivesse entrando em sua casa, e ela pegou rapidamente a maçã e a escondeu da filha, e disse: — “Não deves comer maçã antes que o teu irmão chegue.”
Então, ela jogou a maçã dentro do cesto de frutas, e fechou o cesto. Quando o garotinho chegou perto da porta, o Coisa Ruim mandou que ela falasse com ele gentilmente: — “Meu filhinho, você quer uma maçã?”, e ela olhava maldosamente para ele. — “Mãe,” disse o garotinho, “que olhar assustador o da senhora! Sim, mãe, eu quero uma maçã.”
Então, ela sentiu que parecia que era forçada a dizer, “Venha comigo,” e ela abriu a tampa do cesto e disse: “Pegue uma maçã para você.” e quando o garotinho se inclinou para pegar a maçã, o Coisa Ruim a tentou novamente, e crash!, ela fechou com força a tampa, e a cabeça dele se desprendeu do corpo e caiu no meio das maçãs.
Então, ela ficou toda apavorada de horror, e pensou: — “Como é que eu vou fazer agora que todos pensem que não foi eu quem fez isto!” Então, ela subiu as escadas até o seu quarto, abriu a cômoda e pegou um lenço branco que estava em cima da cômoda, e colocou a cabeça no pescoço novamente, e debrou o lenço de modo que não percebessem nada, e ela o colocou sentado numa cadeira na porta da frente, e colocou a maçã em suas mãos.
Depois disso, a pequena Marlenita veio até a cozinha para procurar a sua mãe, que estava perto do fogo com uma panela de água quente diante dela que ela agitava sem parar. — “Mãe,” disse Marlenita, “o meu irmão está sentado na porta, e ele parece pálido e tem uma maçã em suas mãos.”
Pedi a ele para que me desse um pedaço de maçã, mas ele não respondeu, e eu fiquei muito assustada.” — “Volte até lá onde ele está,” disse a mãe, “e se ele não te responder, aplique nele um tapa na orelha.” Então, Marlenita foi até ele e disse: — “Meu irmãozinho, eu quero um pedaço da tua maçã.”
Mas ele não respondia, e ela lhe aplicou um tapa em suas orelhas e derrubou a cabeça dele no chão. Marlenita ficou muito assustada, e começou a chorar e a gritar, e correu até a sua mãe, e disse: — “Meu Deus, mãe, e arranquei fora a cabeça do meu irmão com um tapa! E ela não parava de chorar e chorava desconsoladamente.”
“Marlenita,” disse a mãe, “o que você fez minha filha? Mas fique quietinha e não deixe ninguém saber disso; como nada pode ser feito, nós vamos fazer com ele um chouriço.” Então, a mãe pegou o menino e o cortou em pedaços, o colocou na panela e fez chouriço com ele. Mas Marlenita continuava chorando desconsoladamente, e todas as suas lágrimas caíam na panela e não houve nem necessidade de colocar sal.
Então, o pai voltou para casa, e se sentou para jantar, e disse: “Mas onde está o meu filho?” E a mãe serviu um grande prato de chouriço, e Marlenita não parava de chorar e não saia de perto. Então, o pai disse novamente: “Mas onde está o meu filho?” — “Ah,” disse a mãe, “ele resolveu atravessar o país e ir visitar o tio avô da mãe dele, e disse que ficará lá por um tempo.” — “E o que ele foi fazer lá? Ele nem sequer se despediu de mim.”
— “Oh, ele quis ir, e me perguntou se ele poderia ficar seis semanas, ora, ele será bem cuidado lá.” — “Ah,” disse o homem, “eu me sinto tão triste como se alguma coisa tivesse acontecido. Ele deveria ter-se despedido de mim.” E assim ele começou a comer e disse: — “Marlenita, porque você está chorando? O teu irmão certamente voltará.”
Então, ele disse, — “Ah, mulher, como esta comida está deliciosa, coloque um pouco mais, por favor.” E quanto mais ele comia, mais ele queria comer, e ele disse: “Coloque um pouquinho mais, não vai sobrar nada hoje. Me parece que tudo isso foi feito só para mim.” E ele comeu sem parar e jogava todos os ossos debaixo da mesa, até que comeu tudo.”
Marlenita, porém, foi até uma cômoda, e retirou o seu melhor lenço de seda que ficava no fundo da gaveta, e pegou todos os ossos que estavam debaixo da mesa, amarrou-os bem amarradinho em seu lenço de seda, e os levou para fora da porta, chorando lágrimas de sangue.
Então, o pé de junípero começou a se mexer novamente, e os galhos se dividiam, e se moviam novamente, parecendo que alguém estava muito feliz e batia palmas.
Nesse momento uma névoa parecia surgir por entre a árvore, e no centro desta névoa havia uma bola de fogo, e um lindo pássaro saiu do meio das chamas cantando maravilhosamente, e ele voou bem alto até o céu, e depois que o passarinho foi embora, o pé de junípero ficou como era antes, e o lenço com os ossos não estava mais lá. Marlenita, todavia, estava toda feliz e alegre como se o seu irmão ainda estivesse vivo. E ela entrou toda risonha dentro de casa, e se sentou para jantar e comeu.
Mas o passarinho voou para longe e pousou na casa de um ourives, e começou a cantar.
A minha mãe, ela me matou,
"O meu pai, ele me comeu",
"A minha irmã, a pequena Marlenita,"
"Juntou todos os meus ossos",
"Amarrou-os bem firme num lenço de seda,"
"Os colocou debaixo do pé de junípero,"
"Piu, piu, que belo pássaro eu sou!”
O ourives estava sentado em sua oficina de trabalho fazendo um corrente de ouro, quando ele ouviu o pássaro que estava sentado e cantava no seu telhado, e a canção que o pássaro cantava era muito bela para ele. Ele se levantou, mas quando ele ia atravessar a porta ele perdeu uma de suas sandálias.
Mas ele continuou andando bem em direção ao meio da rua tendo um pé com meia e um pé com sandália; ele usava um avental, e em uma mão ele empunhava a corrente de ouro e na outra uma torquês, e o sol brilhava com fulgor nas ruas. Então, ele virou à direita e parou, e disse para o pássaro: — “Passarinho,” disse ele então, “como você consegue cantar com tanta beleza! Cante para mim essa canção novamente.”
— “Não,” disse o pássaro, “Eu não posso cantar duas vezes de graça! Dê-me a corrente de ouro, e então, eu cantarei para ti novamente.” — “Toma-a, então,” disse o ourives, “aqui está a corrente de ouro que você tanto deseja, agora, cante para mim essa canção novamente.” Então, o pássaro veio e pegou a corrente de ouro com a sua patinha direita, e foi e se sentou diante do ourives e cantou:
A minha mãe, ela me matou,
"O meu pai, ele me comeu",
"A minha irmã, a pequena Marlenita,"
"Juntou todos os meus ossos",
"Amarrou-os bem firme num lenço de seda,"
"Os colocou debaixo do pé de junípero,"
"Piu, piu, que belo pássaro eu sou!”
Então, o belo pássaro voou para longe até um sapateiro, e pousou no telhado do sapateiro e cantou:
A minha mãe, ela me matou,
"O meu pai, ele me comeu",
"A minha irmã, a pequena Marlenita,"
"Juntou todos os meus ossos",
"Amarrou-os bem firme num lenço de seda,"
"Os colocou debaixo do pé de junípero,"
"Piu, piu, que belo pássaro eu sou!”
O sapateiro ouviu isso e correu para fora de casa em mangas de camisa, e olhou para o telhado, e teve que colocar a mão na frente dos olhos para que o sol não o cegasse. — “Passarinho,” disse ele, “como você canta bonito!” Então, ele gritou para a sua esposa que estava dentro de casa:
— “Mulher, venha aqui fora, tem um passarinho aqui, veja aquele passarinho, ele simplesmente canta maravilhosamente bem.”
Depois ele chamou a sua filha e os seus filhos, e alguns aprendizes, meninos e meninas, e todos eles subiram até onde o sapateiro estava e olhavam o pássaro e viram como ele era belo, e que plumas verdes e vermelhas ele tinha, e que o seu pescoço era como se fosse de ouro puro, e como os olhos em sua cabeça brilhavam como as estrelas.
— “Pássaro,” disse o sapateiro, “cante para mim essa canção novamente.” — “Não,” disse o passarinho, “Eu não canto de graça duas vezes, deves me oferecer alguma coisa.” — “Querida,” disse o homem, “vá até o sótão, e no alto da prateleira você encontrará um par de sapatos vermelhos, por favor, traga-os até aqui.”
Então, a esposa foi e trouxe os sapatos. — “Pega aí, passarinho,” disse o homem, “agora, cante para mim aquela canção novamente.” Então, o pássaro veio e pegou os sapatos com a sua patinha esquerda, e voou de volta para o telhado, e cantou:
A minha mãe, ela me matou,
"O meu pai, ele me comeu",
"A minha irmã, a pequena Marlenita,"
"Juntou todos os meus ossos",
"Amarrou-os bem firme num lenço de seda,"
"Os colocou debaixo do pé de junípero,"
"Piu, piu, que belo pássaro eu sou!”
E quando ele tinha cantado a canção inteira ele voou para longe. Na sua patinha direita ele tinha a corrente de ouro e na esquerda os sapatos vermelhos, e ele voou bem pra longe até encontrar um moinho, e o moinho fazia "clipe clape, clipe clape, clipe clape," e perto do moinho estavam vinte moleiros talhando uma pedra, e cortavam, “rique raque, rique raque, rique raque,” e o moinho fazia “clipe clape, clipe clape, clipe clape.” Então, o passarinho foi e se sentou num pé de laranja lima que ficava de frente para o moinho, e cantava:
A minha mãe, ela me matou,
Então, um deles parou de trabalhar.
"O meu pai, ele me comeu",
Então, dois outros pararam de trabalhar e começaram a ouví-lo.
"A minha irmã, a pequena Marlenita,"
Então, outros quatro pararam,
"Juntou todos os meus ossos",
"Amarrou-os bem firme num lenço de seda,"



Agora apenas oito estavam talhando a pedra,
"Os colocou debaixo"
Agora só cinco.
"do pé de junípero,"
E agora somente um,
"Piu, piu, que belo pássaro eu sou!”
Então, o último também parou de trabalhar, e ouviu as últimas palavras. “Passarinho,” disse ele, “como você canta bem! Deixe-me ouvir também. Cante mais uma vez para mim.”
— “Não,” disse o pássaro, “Eu não canto de graça duas vezes. Dá-me a pedra de moinho, e então, eu cantarei novamente.”
— “Sim,” disse ele, “se ela fosse só minha, tu poderias tê-la.”
— “Sim, concordaram os outros, “se ele cantar novamente, ele poderá ficar com ela.” Então, o pássaro desceu, e os vinte moleiros pegaram uma viga e levantaram a pedra. E o passarinho colocou o seu pescoço no buraco, e colocou a pedra como se ela fosse um colar, e voou para a árvore novamente, e cantou:
A minha mãe, ela me matou,
"O meu pai, ele me comeu",
"A minha irmã, a pequena Marlenita,"
"Juntou todos os meus ossos",
"Amarrou-os bem firme num lenço de seda,"
"Os colocou debaixo do pé de junípero,"
"Piu, piu, que belo pássaro eu sou!”
E quando ele acabou de cantar, ele abriu suas asas, e em sua patinha tinha ele tinha a pulseira, e na direita os sapatos, e em volta do seu pescoço a pedra do moinho, e ele voou para longe, para a casa do seu pai.
Na sala de jantar estavam o pai, a mãe e a pequena Marlineta, comendo, e o pai disse: — “Como me sinto com o coração leve hoje, como estou feliz! — “Não,” disse a mãe, “Sinto medo, parece que uma tempestade vai desabar sobre mim.” Marlineta, todavia, não parava de chorar, e então, o passarinho veio voando, e quando ele se sentou no telhado, o pai disse: — “Ah,” eu me sinto tão feliz de verdade, e o sol está brilhando majestoso lá fora, e me sinto como se fosse ver um velho amigo de quem sinto muita saudade.”
— “Não,” disse a mulher, “eu sinto tanto medo, que meus dentes estão batendo uns contra os outros, e parece que minhas veias queimam que nem fogo.” E ela soltou o corpete, mas a pequena Marlineta estava num canto chorando o tempo todo, e segurava o prato diante dos seus olhos, e chorava até que ele ficou completamente cheio de lágrimas. Então, o passarinho se sentou no pé de junípero, e cantou:
Minha mãe, ela me matou,
Então, a mãe tapou os ouvidos, e fechou os olhos, e não queria ver nem ouvir nada, mas havia um barulho tão forte em seus ouvidos como se fosse uma violenta tempestade, e os olhos dela queimavam e piscavam que nem relâmpago.
Meu pai, ele me comeu,
— “Ah, que lindo,” disse o homem, “como ele canta bonito! Ele canta tão de modo tão esplêndido e o sol brilha com tanto calor, e estou sentindo um cheiro parecido com o de canela.
Minha irmã, a pequena Marlenita,”
Então, Marlenita colocou a cabeça nos joelhos, e chorava sem parar, mas o homem disse, “Eu vou sair lá fora, eu preciso ver o passarinho bem de perto.” — “Oh, não vá,” disse a esposa, “Sinto como se toda a casa estivesse tremendo e pegando fogo.” Mas o homem foi para olhar o pássaro:
"Juntou todos os meus ossos",
"Amarrou-os bem firme num lenço de seda,"
"Os colocou debaixo do pé de junípero,"
"Piu, piu, que belo pássaro eu sou!”
E assim o passarinho deixou cair a corrente de ouro, e ela caiu exatamente em volta do pescoço do homem, e a corrente se fixou de modo perfeito no pescoço dele. Então, ele foi e disse:
— “Vejam só que pássaro lindo que ele é, e que belíssima corrente de ouro ele me deu, e como ele é majestoso!” Mas a mulher estava apavorada, e caiu no chão no meio da sala, e a touca que ela usava caiu da sua cabeça. Então, o pássaro cantou mais um pouquinho:
Minha mãe, ela me matou.
— “Ah, como eu gostaria que eu estive a trezentos metros de profundidade debaixo da terra para não ouvir isso.”, disse ela.
O meu pai, ele me comeu,
Então, a mulher caiu novamente como se ela estivesse morta.
“Minha irmã, a pequena Marlineta,”
“Ah, disse a garota, “quero sair para ver se o passarinho vai me dar alguma coisa,” e ela saiu.
"Juntou todos os meus ossos",
"Amarrou-os bem firme num lenço de seda,"
Então, ele lançou os sapatos vermelhos para ela.
"Os colocou debaixo do pé de junípero,"
"Piu, piu, que belo pássaro eu sou!”
Então, a menina estava feliz e com o coração leve, e ela vestiu os novos sapatos vermelhos, e dançava e dava voltas pela casa. — “Ah,” disse ela, eu estava tão triste quando eu saí lá fora e agora eu estou tão feliz; que pássaro maravilhoso, e ele deu para mim um par de sapatos vermelhos!”
— “Bem,” disse a mulher, e ela deu um pulo e ficou de pé e os cabelos dela se arrepiaram todo como se fossem chamas de fogo, “eu me sinto como se o mundo estivesse acabando! Eu também, vou sair lá fora para ver o se o meu coração também se sente mais leve.”

E quando ela saiu para fora da porta, crash! O pássaro derrubou a pedra do moinho sobre a cabeça dela, e ela ficou inteiramente esmagada pela pedra. O pai e a pequena Marlineta ouviram o barulho e saíram para fora, e havia fumaças, chamas, e fogo subindo por todos os lados, e quando tudo isso acabou, lá estava o pequeno irmão, e ele pegou o seu pai e a pequena Marlineta pelas mãos, e todos os três ficaram muito felizes, e eles entraram dentro de casa para jantar e comeram juntos.