domingo

A Aranha e as Uvas, Fábulas de Leonardo Da Vinci


A Aranha e as Uvas - Fábulas de Leonardo Da Vinci


Uma aranha observou durante dias a fio os movimentos dos insetos, e notou que as moscas ficavam em torno de um grande cacho de uvas muito doces.
- Já sei o que fazer - disse ela para si mesma.
Subiu para o alto da parreira e, por meio de um tênue fio, desceu até o cacho de uvas, onde instalou-se num pequenino espaço entre duas frutas.
De dentro do esconderijo começou a atacar as pobres moscas que vinham em busca de alimento. Matou muita delas, pois nenhuma suspeitava que houvesse ali uma aranha.
Porém em breve chegou a época da colheita.
O fazendeiro foi para o campo, colheu o cacho de uvas e atirou-o para dentro de uma cesta, na qual se viu espremido junto com os outros cachos.
As uvas foram a armadilha fatal para a aranha impostora, que morreu exatamente como as moscas que enganara.


Leonardo da Vinci

A Aranha e as Abelhas, Fábulas de Leonardo Da Vinci


A Aranha e as Abelhas - Fábulas de Leonardo Da Vinci


Certo dia uma aranha encontrou um local onde havia muitas moscas. Imediatamente pôs mãos à obra, tecendo uma teia. Escolheu dois galhos como apoio e começou a trançar para lá e para cá, entre um e outro galho. Tecendo seu fio de prata, construiu sua teia. Quando terminou o trabalho escondeu-se atrás de uma folha.
A espera foi breve. Logo uma mosca curiosa viu-se presa à teia. A aranha precipitou-se e devorou a mosca.
Porém uma vespa, pousada numa flor, a tudo assistira. Imediatamente voou para cima da aranha e furou-a com uma ferroada.


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A Andorinha, Fábulas de Leonardo Da Vinci


A Andorinha - Fábulas de Leonardo Da Vinci

A andorinha, com gritos de alegria, voltou para seu antigo ninho.
Primeiro limpou-o e arrumou-o, e em seguida pôs ovos. Depois chocou-os. Finalmente, quanto os filhotes nasceram, começou a voar para um lado e para outro, indo e vindo do ninho, a fim de alimentar sua grande família.
Seu companheiro, em contrapartida, voava o tempo todo. Voava enquanto a andorinha arrumava a casa, enquanto os ovos estavam sendo chocados, e continuou voando todos os dias, de manhã à noite, sem um instante de repouso.
- Por que é que você está sempre voando? - perguntaram-lhe um dia.
- Porque não gosto de trabalhar - foi a resposta.


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A Amoreira, Fábulas de Leonardo Da Vinci


A Amoreira - Fábulas de Leonardo Da Vinci

A pobre amoreira não suportava mais aquilo. Agora, que seus galhos estavam novamente carregados de amoras, os insolentes melros bicavam e estragavam todos os ramos com o bico e com as patas.
- Por favor - suplicou a amoreira, dirigindo-se ao melro mais importuno - poupe ao menos minhas folhas! Sei que vocês gostam muito dos meus frutos, que são seus preferidos. Porém não me privem da sombra de minhas folhas, que me protegem contra os raios do Sol. E não me estraguem com as patas, não arranquem minha casca macia.
A essas palavras o melro, ofendido, respondeu:
- Silêncio, sua mal-educada! Você não sabe que a natureza fez você produzir essas frutas apenas para me alimentar? Não sabe, sua estúpida, que quando chegar o inverno você vai servir apenas para alimentar o fogo?
Ao ouvir essas palavras a amoreira pôs-se a chorar baixinho.
Algum tempo depois o insolente melro caiu numa armadilha preparada por um homem. A fim de construir uma gaiola para o pássaro, o homem cortou os galhos de uma sebe, e coube à amoreira fornecer a madeira para as barras da gaiola.
- Oh! Melro, disse a amoreira - ainda estou aqui. Quando você era livre vinha me importunar, e agora são meus galhos que impedem sua liberdade. Ainda não fui consumida pelo fogo, como você disse que ia acontecer. Você não me viu queimada, mas eu estou vendo você prisioneiro.

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A Águia, Fábulas de Leonardo Da Vinci


A Águia - Fábulas de Leonardo Da Vinci


Certo dia uma águia olhou para baixo, do alto do seu ninho, e viu uma coruja.
- Que estranho animal! - pensou consigo mesma. Certamente não se trata de um pássaro.
Movida pela curiosidade, abriu suas grandes asas e pôs-se a descer voando em círculos.
Ao aproximar-se da coruja perguntou:
- Quem é você? Como é seu nome?
- Sou a coruja - respondeu o pobre pássaro em voz trémula, tentando esconder-se atrás de um galho.
- Há, há! Como você é ridícula! - riu a águia - sempre voando em torno da árvore. Só tem olhos e penas! Vamos ver - acrescentou, pousando num galho - vamos ver de perto como você é. Deixe-me ouvir sua voz. Se for tão bonita quanto sua cara vou ter que tapar os ouvidos.
Enquanto isso a águia tentava, por meio das asas, abrir caminho por entre os galhos para apanhar a coruja.
Porém um fazendeiro havia colocado, entre os galhos da árvore, diversos ramos cobertos de visgo, e também espalhara visgo nos galhos maiores.
Subitamente a águia viu-se com as asas presas à árvore, e quanto mais lutava para se desvencilhar, mais grudadas ficavam suas penas.
A coruja disse-lhe:
- Águia, daqui a pouco o fazendeiro vai chegar, apanhar você e trancá-la numa grande gaiola. Ou talvez a mate para vingar-se pelos cordeiros que comeu. Você, que passou toda a sua vida no céu, livre de qualquer perigo, tinha alguma necessidade de vir até aqui para caçoar de mim?

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A Água, Fábulas de Leonardo Da Vinci


A Água - Fábulas de Leonardo Da Vinci


Certo dia, um pouco de água desejou sair de seu lugar habitual, no lindo mar, e voar para o céu.
Então a água pediu ajuda ao fogo. O fogo concordou e, com seu calor, transformou a água em vapor, tornando-a mais leve que o ar.
O vapor partiu para o céu, subindo cada vez mais alto, até finalmente atingir a camada mais fria e mais rarefeita da atmosfera. Então as partículas de água, enregeladas de frio, tornaram a se unir e voltaram a ser mais pesadas que o ar. E caíram sob a forma de chuva. Não se limitaram a cair, mas jorraram como uma cascata em direcção á terra.
A arrogante água foi sugada pelo solo seco e, pagando caro por sua arrogância, ficou aprisionada na terra.

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