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terça-feira

A bela adormecida, contos dos irmãos Grimm


A bela adormecida
contos dos irmãos Grimm

Há muito tempo atrás havia um Rei e uma Rainha que diziam todos os dias,
Ah, se nós tivéssemos uma criança! mas eles nunca tiveram uma. Aconteceu uma vez, quando a Rainha estava tomando banho, um sapo pulou para fora da água, saltou para a terra e disse para ela,
Seu desejo será realizado, antes que se passe um ano você terá uma filha.
O que o sapo tinha dito, aconteceu, e a Rainha teve a pequena menina que era tão linda que o Rei não podia se conter de felicidade e ordenou que uma grande festa fosse realizada. Ele convidou não somente seus parentes, amigos e familiares mas também as Fadas Madrinhas, para que elas pudessem ser gentis e agradáveis com a criança. Havia treze delas em seu reino, porém, como ele só tinha doze pratos dourados para comer, uma delas não foi convidada.
A festa foi realizada com todo esplendor, e quando chegou no final as Fadas Madrinhas concederam presentes mágicos ao bebê: uma ofereceu virtude, a outra beleza, a terceira riqueza e assim por diante com tudo no mundo que uma pessoa poderia desejar.

Quando onze delas já tinham cumprido suas promessas, de repente a décima terceira apareceu.
Ela queria se vingar por não ter sido convidada, e sem cumprimentar qualquer pessoa, ou olhar para ninguém, gritou em voz alta,
A filha do Rei deverá em seu décimo quinto aniversário picar o dedo com um fuso e cairá morta. E, sem dizer mais nenhuma palavra, virou-se e se retirou do local.
Todos ficaram chocados, mas a décima segunda, que ainda não havia oferecido o seu presente, adiantou-se e como não podia desfazer a maldição, mas, somente amenizá-la, disse,
Não será a morte, mas um sono profundo que durará cem anos, é o que acontecerá à princesa.
O Rei, que estava disposto a afastar a sua querida filha de tal maldição, deu ordens para que todo fuso do reino fosse destruída. Enquanto isso, os desejos das Fadas Madrinhas foram todos cumpridos para a jovem menina, porque ela era tão bela, modesta, de bom caráter e sábia que todos que a viam se encantavam por ela.

Aconteceu que, bem no dia de seu décimo quinto aniversário, o Rei e a Rainha não estavam em casa, e a jovem foi deixada no palácio totalmente sozinha. Então ela foi a todos os tipos de lugares, olhou nas salas e nos dormitórios exatamente como queria e por fim chegou até a uma velha torre. Ela subiu uma estreita escada em caracol e alcançou uma pequena porta. Uma pequena chave enferrujada estava na tranca, e quando ela virou a porta se abriu, e ali na pequena sala estava sentada uma velhinha com um fuso, muito ocupada fiando seu linho.
Bom dia, minha senhora, disse a filha do Rei, — o que você está fazendo?
Estou fiando, disse a velha apontou com a cabeça.
Que tipo de coisa é isto, que fica chacoalhando tão alegremente? disse a garota, que pegou o fuso e queria fiar também. Porém, mal tocou o fuso e a maldição se realizou e ela picou o dedo no fuso.
No momento em que sentiu a picada, ela caiu sobre a cama e ali permaneceu, e caiu em sono profundo. E este sono se estendeu por todo o palácio, o Rei e a Rainha, que tinham acabado de voltar pra casa, entraram no grande salão e começaram a dormir, e toda a corte com eles. Os cavalos também dormiram nos estábulo, os cães nos quintais, os pombos nos telhados e as moscas nas paredes. Até o fogo que estava crepitando começou a ficar calmo e a se apagar, a carne assada deixada para fritar, e o cozinheiro, que estava para puxar o cabelo de um serviçal porque ele havia esquecido de algo, o deixou e começou a dormir. O vento parou e as árvores que ficavam diante do castelo nem uma folha voltou a se mover.
Porém, em torno do castelo começou a crescer uma cerca de espinhos, que aumentava a cada ano, e que por fim cresceu até cobrir quase todo o castelo e ao redor dele, e então nada mais podia ser visto, nem mesmo a bandeira que estava no telhado. Mas a história da bela adormecida — Rosa do espinho, pois assim ela era chamada, correu o país, e então, de tempos em tempos, príncipes vieram e tentaram atravessar a cerca de espinhos para entrar no castelo.
Mas eles descobriram que era impossível, porque os espinhos eram bem presos juntos, como se tivessem mãos e os jovens ficavam presos neles, e não conseguiam se soltar, e tinham uma morte lastimável.
Após muitos e muitos anos um príncipe veio novamente ao reino e ouviu a história de um velhinho que falava sobre a cerca de espinhos, e que um castelo ficava atrás dela, na qual dormia uma princesa maravilhosamente bela, cujo nome era Rosa dos Espinhos, e que estava dormindo há centenas de anos, bem como o Rei e a Rainha e toda a corte estavam dormindo também. Ele havia ouvido também, de seu avô, que muitos princípes já tinham vindo, e já haviam tentado atravessar a cerca de espinhos, mas eles foram espetados pela cerca de espinho, e tiveram uma morte lastimável. Então o jovem disse, — Eu não tenho medo e irei ver a bela adormecida. O velhinho tentou dissuadi-lo como pode, mas, ele não deu ouvido a suas palavras.
Mas por essa época, os cem anos já haviam se passado, e o dia havia chegado quando A Bela Adormecida devia acordar novamente. Quando o filho do rei se aproximou da cerca de espinhos, não havia nada, além de flores grandes e belas, que se abriam e se separavam umas das outras, tudo de maneira muito ordenada, deixando-o passar sem machucá-lo, depois elas voltavam a se fechar como um espinheiro. No pátio do castelo ele viu os cavalos e os cães malhados que estavam deitados, dormindo; no teto estavam os pombos com suas cabecinhas protegidas por suas asas.
E quando ele entrou no castelo, as moscas estavam dormindo na parede, o cozinheiro, que estava ainda na cozinha, levantava a mão para agarrar o menino, e a criada estava sentada perto da galinha preta a qual ela ia depenar.
Depois, ele continuou andando, e tudo estava tão silencioso que até o ruído da respiração podia ser ouvido, e ele finalmente chegou à torre, e abriu a porta que dava para o pequeno cômodo onde A Bela Adormecida estava dormindo. Lá estava ela, tão linda, que ele não conseguia desviar olhos dela, então ele parou e deu um beijo nela. Porém, assim que ele a beijou, A Bela Adormecida abriu os olhos, e acordou, e olhou para ele bem suavemente.
Depois os dois desceram juntos, e o rei acordou, depois a rainha, e toda a corte, e olhavam uns para os outros totalmente espantados. E os cavalos que estavam no pátio ficaram de pé e se balançavam uns para os outros, os cães saltavam, e abanavam seus rabinhos, os pombos no telhado desprotegeram suas cabecinhas que estavam debaixo de suas asas, olharam ao redor, e voaram livres para os campos, as moscas da parede começaram a andar novamente, o fogareiro da cozinha queimava e tremeluzia e cozinhava a comida, o assado começou a girar e a fritar novamente, e o cozinheiro deu um tamanho tapa nas orelhas do garoto que ele começou a chorar, e a criada depenou a galinha e a deixou pronta para assar.

E então o casamento do príncipe com a Bela Adormecida foi celebrado com todo esplendor, e eles viveram felizes até o fim de seus dias.

Os seis cisnes, contos dos irmãos Grimm


Os seis cisnes
contos dos irmãos Grimm

Era uma vez um rei que estava caçando numa imensa floresta, e ele caçava um animal selvagem com tanta vontade que nenhum dos que acompanhavam conseguiam segui-lo. Quando a noite chegou ele fez uma parada e olhou ao redor, e então, ele percebeu que ele havia perdido o seu caminho de volta.
Procurou uma saída, mas não encontrou nenhuma. Então, ele avistou uma velhinha que balançava a cabeça continuamente; ela era uma bruxa e vinha em direção a ele. — “Minha bondosa senhora,” o rei disse para ela, — “Será que a senhoria poderia me mostrar o caminho para eu sair da floresta?” — “Oh, sim, senhor rei,” respondeu ela, “lógico que eu posso, mas sob uma condição, e se não cumprires o prometido, jamais conseguirás sair da floresta, e morrerás de fome.”
— “E que condições são estas?” perguntou o rei.
— “Eu tenho uma filha,” disse a velhinha, “linda como não existe nenhuma outra no mundo, e muito digna de se tornar sua esposa, e se permitires que ela se torne sua Rainha, eu lhe mostrarei o caminho para sair da floresta.”
Como o rei estava angustiado, ele concordou, e a velhinha o conduziu para a sua pequena cabana, onde a filha dela estava sentada perto do fogo. Ela recebeu o rei como se ela estivesse esperando por ele, e ele constatou que ela era muito bonita, mesmo assim, ela não foi do seu agrado, e ele não conseguia olhar para ela, sem sentir um horror secreto. Depois de ele ter conduzido a jovem para o seu cavalo, a velhinha mostrou-lhe o caminho, e o rei voltou para o seu palácio novamente, onde foi celebrado o casamento.
O rei já havia se casado uma vez, e com a primeira esposa, ele teve sete filhos, seis meninos e uma menina, a quem ele amava mais do que tudo no mundo. Como ele temia que a madrasta poderia não tratar bem dos seus filhos agora, ou mesmo fazer-lhes algum mal, ele os levou para um castelo solitário que ficava no meio de uma floresta. Ele ficava tão escondido, e o caminho para encontrá-lo era tão difícil, que ele mesmo não conseguiria tê-lo encontrado, se uma fada não tivesse dado a ele um novelo com propriedades mágicas.
Quando ele soltava o novelo, ele se desenrolava e mostrava o caminho até o castelo. O rei, todavia, ia todos os dias visitar os seus filhos queridos na floresta que a Rainha começou a notar a sua ausência; ela ficou curiosa e queria saber o que ele fazia quando estava totalmente sozinho na floresta. Ela deu uma certa quantia em dinheiro para os seus criados, e eles contaram o segredo para ela, e contaram a ela também sobre o novelo mágico que sozinho poderia mostrar o caminho.
E então, ela não conseguiu ter mais sossego, até que ela descobriu onde o rei guardava o novelo, e então, ela fez camisas de seda branca, e como ela tinha aprendido a arte da bruxaria com a sua mãe, ela costurou um encanto dentro das camisas. E quando o rei havia saído para caçar, ela pegou as camisas de seda e foi para a floresta, e o novelo mostrou a ela o caminho. Os filhos, que viram de longe que alguém estava se aproximando, pensaram que o pai deles estava vindo visitá-los, e radiantes de alegria, correram para encontrar-se com ele.
Então, ela lançou uma camisa de seda sobre cada um deles, e mal as camisas haviam tocado seus corpos e eles foram transformados em cisnes, e voaram para longe da floresta. A Rainha voltou para casa feliz e realizada, e pensou que ela tivesse se livrado dos seus enteados, mas a menina não havia corrido com seus irmãos para encontrá-la, e a rainha nada sabia sobre ela. No dia seguinte o rei foi visitar os seus filhos, mas ele não encontrou ninguém além da garota.
— “Onde estão os teus irmãos?”, perguntou o rei.
— “Ah, meu pai,” respondeu a menina, — “eles foram embora e me deixaram sozinha!” e ela contou para ele que tinha visto da sua janelinha como os seus irmãos fugiram para a floresta transformados em cisnes, e ela mostrou a ele as penas, que eles tinham deixado cair no quintal, e que ela apanhou. O rei ficou triste, mas ele não pensou que a rainha tinha feito essa maldade, e como ele receava que a garota poderia também ser roubada dele, quis levá-la consigo. Mas a pequenina tinha medo da madrasta, e insistiu ao rei para deixá-la ficar apenas mais uma noite no castelo da floresta.
A pobre menina pensou: — “Não posso mais ficar aqui. Irei procurar os meus irmãos.” e quando a noite chegou, ela fugiu, e foi direto para a floresta. Ela caminhou a noite toda, e no dia seguinte também caminhou sem parar, até que ela não conseguiu continuar caminhando porque estava muito cansada. Então, ela encontrou uma cabana na floresta, e entrou dentro dela, e encontrou um quarto onde havia seis pequenas camas, mas ela não ousou deitar-se em uma delas, mas escondeu-se debaixo de uma das camas, e deitou-se no chão duro, pretendendo passar a noite ali.

Pouco antes do amanhecer, todavia, ela ouviu um barulho de asas batendo, e viu que seis cisnes vinham voando pela janela. Eles pousaram no chão e sopravam as plumas uns dos outros, e as suas penas de cisnes ficaram lisas como camisas. Então, a garotinha olhou para eles e ela reconheceu os seus irmãos, ficou contente e saiu debaixo da cama. Os irmãos também ficaram felizes em verem sua irmãzinha, mas a alegria deles teve curta duração. — “Aqui não podes morar,” disseram eles para ela.
— “Este é um esconderijo de ladrões, se eles chegarem em casa, e te encontrarem, eles te matarão.”
— “Mas vocês não podem me proteger?”, perguntou a irmãzinha.
— “Não,” responderam eles, somente durante quinze minutos por dia de cada noite nós podemos tirar as nossas plumas de cisnes e usar durante esse tempo a forma humana; depois disso, voltamos novamente a sermos cisnes.” A irmãzinha chorou e disse,
— “Vocês não conseguem se libertar?
— “Oh, não,” eles responderam, “as condições são muito difíceis! Durante seis anos não poderás falar nem sorrir, e durante esse tempo você deverá costurar seis camisas pequenas feitas de aster para nós. E se uma única palavra for pronunciada da sua boca, todo teu trabalho terá sido em vão.” E quando os irmãos tinham dito isto, os quinze minutos haviam passado, e eles voaram novamente pela janela como se fossem cisnes.
A garota porém, havia decidido resolutamente libertar os seus irmãos, mesmo que isto lhe custasse a própria vida. Ela saiu da cabana, foi para o meio da floresta, sentou-se numa árvore, e lá passou a noite. Na manhã seguinte, ela saiu para colher aster e começou a tecer.
Ela não poderia conversar com ninguém, tampouco poderia sorrir; ela ficou sentada ali e nada lhe interessava além do seu trabalho. Quando já fazia muito tempo que ela tinha passado ali, aconteceu que o rei daquele país estava caçando na floresta, e o seus companheiros de caça vieram até a árvore onde a garota estava sentada. Eles a chamaram e disseram:
— “Quem és tu?” Mas ela não falou nada.
— “Desça aqui com a gente,” disseram eles. — “Não vamos lhe fazer nenhum mal.” Ela apenas balançava a cabeça. Como eles a pressionavam com perguntas ela lançou seu colar de ouro para eles, e pensou que isso os deixaria satisfeitos. Eles, no entanto, não paravam, então, ela jogou sua cinta para eles, e isso também não adiantou nada, jogou também suas ligas e aos poucos tudo o que ela usava até que ela ficou só de blusa. Os caçadores, porém, não se tomaram por vencidos, mas subiram na árvore, desceram a menina e a levaram para o rei. O rei perguntou:
— “Quem és tu? O que estavas fazendo em cima da árvore?” Mas ela não respondia. O rei fez a pergunta em vários idiomas que ele conhecia, mas ela permanecia tão calada como um peixe. Como ela era muito linda, o coração do rei ficou encantado, e ele foi tomado por uma grande paixão por ela. Ele colocou nela a sua manta, levou-a em seu cavalo, e a conduziu para o seu castelo. Depois, ele mandou que ela se vestisse com roupas riquíssimas, e a beleza dela brilhava como um dia reluzente,
mas nenhuma palavra ele conseguia tirar dela. Ele a colocou ao seu lado, na mesa, e a sua postura humilde e educada o encantou tanto que ele disse:
— “Ela é a mulher com quem eu quero me casar, e não quero nenhuma outra.” E depois de alguns dias ele se uniu a ela.
Mas o rei tinha uma mãe perversa que não estava satisfeita com este casamento e falava mal da rainha.
— “Quem sabe,” disse ela, — “de onde veio essa garota que não sabe falar? Ela não é digna de um rei!”
Depois que um ano se passou, quando a rainha deu a luz ao seu primeiro filho no mundo, a velhinha tomou dela a criança, e manchou a boca dela de sangue enquanto ela dormia. Depois ela foi até o rei e acusou a rainha de ser uma devoradora de crianças. O rei não quis acreditar nisso, e não permitiu que ninguém fizesse nenhum mal a ela. Ela, no entanto, continuava sempre costurando as camisas, e não se preocupava com mais nada. No ano seguinte, quando ela deu a luz a um belo garoto, a falsa madrasta se utilizou do mesma maldade, mas o rei não aceitava acreditar nas palavras dela. Ele disse:
— “Ela é bondosa e meiga demais para fazer qualquer coisa desse tipo, se ela não fosse muda, e pudesse se defender, a sua inocência seria explicada.”
Mas quando a velhinha roubou o filho recém-nascido pela terceira vez, e acusou a rainha, que não proferia nenhuma palavra ou defesa, o rei não pode fazer nada senão entregá-la à justiça, e ela foi condenada a sofrer a morte na fogueira.

Quando chegou o dia para que a sentença fosse executada, esse era o último dia dos seis anos durante os quais ela não podia falar nem rir, e ela tinha libertado os seus queridos irmãos do poder do encantamento. As seis camisas estavam prontas, somente faltava a manga da sexta camisa. Quando, então, ela era levada para a fogueira, ela levava as camisas em seus braços, e quando ela se levantou e o fogo ia ser acendido, ela olhou ao redor e viu seis cisnes que vinham voando pelo ar em direção a ela. Então, ela percebeu que a sua libertação estava chegando, e seu coração pulava de alegria.
Os cisnes pousaram sobre ela e desceram de modo que ela podia lançar as camisas em cima deles, e a medida que eles eram tocados pelas camisas, suas plumas de cisnes se desfaziam e seus irmãos assumiam sua forma humana diante dela, e eles eram fortes e bonitos. Apenas o mais jovem lhe faltava o braço esquerdo, e tinha no lugar do braço uma asa de cisne em seu ombro. Eles se abraçaram e se beijaram, e a rainha foi até o rei, que estava muito emocionado, e ela começou a falar e disse:
— “Querido marido, agora eu posso falar e declarar para ti que sou inocente e fui acusada injustamente.”

E ela lhe contou toda a maldade que a velhinha havia levado embora os três filhos dela e os havia escondido. Então, para grande alegria do rei, eles foram encontrados e trazidos até ele, e como punição, a madrasta má foi colocada na fogueira e queimou até virar cinzas. Mas o rei e a rainha com seus seis irmãos viveram muitos anos feliz e em paz.

O velho sultão, contos dos irmãos Grimm


O velho sultão
contos dos irmãos Grimm

Um pastor tinha um cão muito fiel, chamado Sultão, que já estava muito velho, e havia perdido todos os dentes. E um dia, quando o pastor e a sua esposa estavam diante da casa, o pastor disse: "Vou matar o velho Sultão amanhã de manhã, porque ele não tem mais utilidade." Mas a sua esposa falou: "Pelo amor de Deus, deixe a pobre e fiel criatura viver, ele nos serviu durante tantos anos, e nós temos que oferecer a ele um jeito dele viver para o resto dos seus dias." "Mas o que poderemos fazer com ele?" disse o pastor, "ele não tem nem um dente na boca, e os ladrões nem se preocupam com ele mais, com certeza ele nos serviu muito, mas ele fazia isso para ganhar o seu sustento, amanhã será o último dia dele, e isso já está decidido.”
O pobre Sultão, que estava sentado perto deles, ouviu tudo o que o pastor e a sua esposa diziam um para o outro, e ficou muito assustado ao pensar que amanhã seria o seu último dia, então, à noite ele foi até o lobo, que era seu grande amigo, e que morava na floresta, e contou a ele todas as suas preocupações, e como o seu dono pretendia matá-lo na manhã seguinte. "Fique tranquilo," disse o lobo, "Eu vou lhe dar alguns bons conselhos. O seu dono, como você sabe, sai todas as manhãs bem cedinho com a esposa e vão para o campo, e eles costumam levar seu filhinho com eles, e o deixam atrás da sebe debaixo da sombra enquanto eles trabalham."
"Então, você deve ficar perto da criança, e fingir que a está vigiando, e eu vou sair da floresta e fugirei com ela, você deve correr atrás de mim o mais rápido que puder, então eu vou deixá-la cair, e você a levará de volta, e eles pensarão que você salvou a criança, e ficarão tão gratos a você que eles vão tomar conta de você enquanto viver." O cachorro achou que o plano era muito bom, e tudo ficou combinado. O lobo correu com a criança pelo caminho, o pastor e a sua esposa começaram a gritar, mas o Sultão logo o alcançou, e trouxe o pobrezinho de volta para o seu dono e a sua dona. Então, o pastor bateu levemente na sua cabeça, e disse: "O velho Sultão salvou a nossa criança do lobo, e portanto, ele viverá e nós tomaremos conta dele, e daremos muita comida para ele. Mulher, vá até lá em casa, e dê para ele um bom jantar, e deixe que ele durma na minha almofada velha enquanto ele viver." E então, desse dia em diante Sultão teve tudo o que sempre desejou.
Pouco depois, o lobo veio e lhe desejou felicidades, e disse: "Agora, meu bom amigo, você não precisa mais ficar contando histórias, apenas vire a cabeça para o outro lado quando eu quiser saborear uma das deliciosas e gordas ovelhas do velho pastor." "Não," disse o Sultão, "eu tenho que ser sincero para o meu dono." Todavia, o lobo achou que ele estava brincando, e uma noite ele se aproximou de uma deliciosa guloseima. Mas o Sultão tinha contado ao seu dono o que o lobo pretendia fazer, então o dono ficou esperando o lobo atrás da porta do celeiro, e quando o lobo estava distraído procurando uma ovelha bem gorda, ele levou uma porretada bem forte nas costas, que a sua crina ficou toda eriçada.
Então, o lobo ficou muito bravo, e chamou o Sultão de "velho trapaceiro" e jurou que ele se vingaria. Então, na manhã seguinte, o lobo mandou que o javali desafiasse o Sultão para que viesse até a floresta para resolver o problema. Agora, o Sultão não tinha ninguém para lhe apoiar, com exceção do gato com três pernas do velho pastor, então ele levou o gato consigo, e enquanto o coitadinho ia se lambendo com alguma dificuldade, o gato ia caminhando com a cauda levantada para o ar.
O lobo e o javali foram os primeiros a chegar, e quando eles espiaram os inimigos que estavam chegando, e viram a longa cauda do gato levantada no ar, eles acharam que ele estava carregando uma espada para o Sultão lutar, e cada vez que o gato de lambia, eles achavam que o gato estava pegando pedras para atirar neles, então eles disseram que eles não queriam mais esse tipo de luta, e o javali foi se esconder atrás de um arbusto, e o lobo pulou para cima de uma árvore. Sultão e o gato logo apareceram, e olharam ao redor e ficaram perguntando porque não havia ninguém ali.

O javali, todavia, não havia se escondido totalmente, pois as suas orelhas ficaram para fora do arbusto, e quando ele chacoalhou uma delas por um momento, o gato, vendo que algo estava se movendo, e pensando que fosse um rato, pulou em cima dele, e mordeu e arranhou, de modo que o javali saltou para fora e grunhia, e fugiu, e saiu gritando, "Olhe lá em cima da árvore, lá está o culpado." Então eles olharam para cima, e viram o lobo sentado no meio dos galhos, e eles o chamaram de "patife covarde", e não permitiram que ele descesse dali até que sentisse muita vergonha de si mesmo, e prometesse voltar a ser amigo do velho Sultão.

O pé de junípero, contos dos irmãos Grimm


O pé de junípero
contos dos irmãos Grimm

Já faz muito tempo, há quase dois mil anos atrás, quando havia um homem rico que tinha uma esposa linda e piedosa, e eles tinham muito amor um pelo outro. No entanto, eles não tinham filhos, apesar de desejarem muito, e a esposa rezava todos os dias e todas as noites para que isso acontecesse, mas esse dia nunca chegava.
Na frente da casa deles havia um pátio onde um pé de junípero havia nascido, e num dia de inverno a mulher estava sentada debaixo dele, descascando uma maçã, e quando ela estava descascando a maçã, ela cortou o dedo, e o sangue caiu sobre a neve.
— “Ah,” disse a mulher, e deu um suspiro profundo, e olhou para o sangue que estava saindo, e ficou muito triste, — “Ah, se eu tivesse um filho que fosse vermelho como o sangue e tão branco como a neve!” E enquanto ela falava isso, ela sentiu uma felicidade muito grande, e acreditou que isso ia mesmo acontecer.
Então, ela entrou dentro de casa e um mês se passou desde que a neve tinha ido embora, e dois meses se passaram e tudo ficou verde, e três meses se passaram e todas as flores começaram a brotar na terra, e quatro meses se passaram e todas as árvores ficaram mais altas e mais robustas, e os galhos verdes começavam a trançar uns nos outros, e as aves cantavam até que a floresta ecoava o canto dos pássaros e as brotos começavam a cair das árvores, então, cinco meses haviam se passado e ela continuava debaixo do pé de junípero, que tinha um cheiro tão perfumado, que o coração dela batia descompassadamente, e ela caiu de joelhos e não cabia em si de felicidade, e quando o sexto mês se passou, as frutas ficaram grandes e maduras, e ela sentia uma placidez incontrolável, e no sétimo mês, ela apanhou algumas frutas do pé de junípero e as devorou com avidez, depois ela se sentiu enjoada e ficou muito triste, e quando o oitavo mês tinha passado, ela chamou para que o seu marido viesse até ela, e disse, chorando: — “Se eu morrer, quero que me enterrem debaixo do pé de junípero.”
Então, ela se sentiu conformada e feliz até que o mês seguinte passou, e ela teve um filho que era tão branco como a neve e tão corado como o sangue, e quando ela olhou a criança ela ficou tão feliz e morreu.
Então, o seu marido a sepultou debaixo do pé de junípero, e ele começou a chorar profundamente, depois de algum tempo ele ficou mais calmo, e embora ele ainda chorasse a dor da perda da esposa, casou-se novamente tempos depois.
Com a segunda esposa ele teve uma filha, mas o filho da primeira esposa era um garoto, e ele era vermelho como o sangue e tão branco como a neve. Quando a mulher olhou para a sua filha ela teve muito amor pela criança, mas depois ela olhava para o menino e parecia que o seu coração estava cortado, pois ela pensava consigo mesma que ele estaria sempre no caminho dela, e ela começou a pensar numa maneira de como conseguiria fazer com que toda a fortuna ficasse para a sua filha, e o Coisa Ruim começou a encher a sua cabeça com esses tristes pensamentos até que ela ficou completamente indignada com o pequeno garoto, e batia e esbofeteava o pobrezinho, até que o pobre infeliz ficasse continuamente apavorado, pois quando ele chegava da escola ele não tinha paz em lugar nenhum.
Um dia a mulher foi até a cozinha, que ficava na parte de cima da casa, acompanhada da sua pequena filhinha, que disse: — “Mamãe, eu quero uma maçã.” — “Sim, minha filha,” disse a mulher, e lhe deu uma deliciosa maçã que ela tirou da cesta, mas a cesta de frutas tinha uma tampa que era muito pesada e uma trava de ferro grande e cortante.
— “Mãe,” disse a garotinha, “o meu irmão não vai querer comer uma maçã também?” Isso enfureceu a mulher, que disse: — “Sim, quando ele chegar da escola.” E quando ela viu pela janela que ele estava chegando, era como se o demônio estivesse entrando em sua casa, e ela pegou rapidamente a maçã e a escondeu da filha, e disse: — “Não deves comer maçã antes que o teu irmão chegue.”
Então, ela jogou a maçã dentro do cesto de frutas, e fechou o cesto. Quando o garotinho chegou perto da porta, o Coisa Ruim mandou que ela falasse com ele gentilmente: — “Meu filhinho, você quer uma maçã?”, e ela olhava maldosamente para ele. — “Mãe,” disse o garotinho, “que olhar assustador o da senhora! Sim, mãe, eu quero uma maçã.”
Então, ela sentiu que parecia que era forçada a dizer, “Venha comigo,” e ela abriu a tampa do cesto e disse: “Pegue uma maçã para você.” e quando o garotinho se inclinou para pegar a maçã, o Coisa Ruim a tentou novamente, e crash!, ela fechou com força a tampa, e a cabeça dele se desprendeu do corpo e caiu no meio das maçãs.
Então, ela ficou toda apavorada de horror, e pensou: — “Como é que eu vou fazer agora que todos pensem que não foi eu quem fez isto!” Então, ela subiu as escadas até o seu quarto, abriu a cômoda e pegou um lenço branco que estava em cima da cômoda, e colocou a cabeça no pescoço novamente, e debrou o lenço de modo que não percebessem nada, e ela o colocou sentado numa cadeira na porta da frente, e colocou a maçã em suas mãos.
Depois disso, a pequena Marlenita veio até a cozinha para procurar a sua mãe, que estava perto do fogo com uma panela de água quente diante dela que ela agitava sem parar. — “Mãe,” disse Marlenita, “o meu irmão está sentado na porta, e ele parece pálido e tem uma maçã em suas mãos.”
Pedi a ele para que me desse um pedaço de maçã, mas ele não respondeu, e eu fiquei muito assustada.” — “Volte até lá onde ele está,” disse a mãe, “e se ele não te responder, aplique nele um tapa na orelha.” Então, Marlenita foi até ele e disse: — “Meu irmãozinho, eu quero um pedaço da tua maçã.”
Mas ele não respondia, e ela lhe aplicou um tapa em suas orelhas e derrubou a cabeça dele no chão. Marlenita ficou muito assustada, e começou a chorar e a gritar, e correu até a sua mãe, e disse: — “Meu Deus, mãe, e arranquei fora a cabeça do meu irmão com um tapa! E ela não parava de chorar e chorava desconsoladamente.”
“Marlenita,” disse a mãe, “o que você fez minha filha? Mas fique quietinha e não deixe ninguém saber disso; como nada pode ser feito, nós vamos fazer com ele um chouriço.” Então, a mãe pegou o menino e o cortou em pedaços, o colocou na panela e fez chouriço com ele. Mas Marlenita continuava chorando desconsoladamente, e todas as suas lágrimas caíam na panela e não houve nem necessidade de colocar sal.
Então, o pai voltou para casa, e se sentou para jantar, e disse: “Mas onde está o meu filho?” E a mãe serviu um grande prato de chouriço, e Marlenita não parava de chorar e não saia de perto. Então, o pai disse novamente: “Mas onde está o meu filho?” — “Ah,” disse a mãe, “ele resolveu atravessar o país e ir visitar o tio avô da mãe dele, e disse que ficará lá por um tempo.” — “E o que ele foi fazer lá? Ele nem sequer se despediu de mim.”
— “Oh, ele quis ir, e me perguntou se ele poderia ficar seis semanas, ora, ele será bem cuidado lá.” — “Ah,” disse o homem, “eu me sinto tão triste como se alguma coisa tivesse acontecido. Ele deveria ter-se despedido de mim.” E assim ele começou a comer e disse: — “Marlenita, porque você está chorando? O teu irmão certamente voltará.”
Então, ele disse, — “Ah, mulher, como esta comida está deliciosa, coloque um pouco mais, por favor.” E quanto mais ele comia, mais ele queria comer, e ele disse: “Coloque um pouquinho mais, não vai sobrar nada hoje. Me parece que tudo isso foi feito só para mim.” E ele comeu sem parar e jogava todos os ossos debaixo da mesa, até que comeu tudo.”
Marlenita, porém, foi até uma cômoda, e retirou o seu melhor lenço de seda que ficava no fundo da gaveta, e pegou todos os ossos que estavam debaixo da mesa, amarrou-os bem amarradinho em seu lenço de seda, e os levou para fora da porta, chorando lágrimas de sangue.
Então, o pé de junípero começou a se mexer novamente, e os galhos se dividiam, e se moviam novamente, parecendo que alguém estava muito feliz e batia palmas.
Nesse momento uma névoa parecia surgir por entre a árvore, e no centro desta névoa havia uma bola de fogo, e um lindo pássaro saiu do meio das chamas cantando maravilhosamente, e ele voou bem alto até o céu, e depois que o passarinho foi embora, o pé de junípero ficou como era antes, e o lenço com os ossos não estava mais lá. Marlenita, todavia, estava toda feliz e alegre como se o seu irmão ainda estivesse vivo. E ela entrou toda risonha dentro de casa, e se sentou para jantar e comeu.
Mas o passarinho voou para longe e pousou na casa de um ourives, e começou a cantar.
A minha mãe, ela me matou,
"O meu pai, ele me comeu",
"A minha irmã, a pequena Marlenita,"
"Juntou todos os meus ossos",
"Amarrou-os bem firme num lenço de seda,"
"Os colocou debaixo do pé de junípero,"
"Piu, piu, que belo pássaro eu sou!”
O ourives estava sentado em sua oficina de trabalho fazendo um corrente de ouro, quando ele ouviu o pássaro que estava sentado e cantava no seu telhado, e a canção que o pássaro cantava era muito bela para ele. Ele se levantou, mas quando ele ia atravessar a porta ele perdeu uma de suas sandálias.
Mas ele continuou andando bem em direção ao meio da rua tendo um pé com meia e um pé com sandália; ele usava um avental, e em uma mão ele empunhava a corrente de ouro e na outra uma torquês, e o sol brilhava com fulgor nas ruas. Então, ele virou à direita e parou, e disse para o pássaro: — “Passarinho,” disse ele então, “como você consegue cantar com tanta beleza! Cante para mim essa canção novamente.”
— “Não,” disse o pássaro, “Eu não posso cantar duas vezes de graça! Dê-me a corrente de ouro, e então, eu cantarei para ti novamente.” — “Toma-a, então,” disse o ourives, “aqui está a corrente de ouro que você tanto deseja, agora, cante para mim essa canção novamente.” Então, o pássaro veio e pegou a corrente de ouro com a sua patinha direita, e foi e se sentou diante do ourives e cantou:
A minha mãe, ela me matou,
"O meu pai, ele me comeu",
"A minha irmã, a pequena Marlenita,"
"Juntou todos os meus ossos",
"Amarrou-os bem firme num lenço de seda,"
"Os colocou debaixo do pé de junípero,"
"Piu, piu, que belo pássaro eu sou!”
Então, o belo pássaro voou para longe até um sapateiro, e pousou no telhado do sapateiro e cantou:
A minha mãe, ela me matou,
"O meu pai, ele me comeu",
"A minha irmã, a pequena Marlenita,"
"Juntou todos os meus ossos",
"Amarrou-os bem firme num lenço de seda,"
"Os colocou debaixo do pé de junípero,"
"Piu, piu, que belo pássaro eu sou!”
O sapateiro ouviu isso e correu para fora de casa em mangas de camisa, e olhou para o telhado, e teve que colocar a mão na frente dos olhos para que o sol não o cegasse. — “Passarinho,” disse ele, “como você canta bonito!” Então, ele gritou para a sua esposa que estava dentro de casa:
— “Mulher, venha aqui fora, tem um passarinho aqui, veja aquele passarinho, ele simplesmente canta maravilhosamente bem.”
Depois ele chamou a sua filha e os seus filhos, e alguns aprendizes, meninos e meninas, e todos eles subiram até onde o sapateiro estava e olhavam o pássaro e viram como ele era belo, e que plumas verdes e vermelhas ele tinha, e que o seu pescoço era como se fosse de ouro puro, e como os olhos em sua cabeça brilhavam como as estrelas.
— “Pássaro,” disse o sapateiro, “cante para mim essa canção novamente.” — “Não,” disse o passarinho, “Eu não canto de graça duas vezes, deves me oferecer alguma coisa.” — “Querida,” disse o homem, “vá até o sótão, e no alto da prateleira você encontrará um par de sapatos vermelhos, por favor, traga-os até aqui.”
Então, a esposa foi e trouxe os sapatos. — “Pega aí, passarinho,” disse o homem, “agora, cante para mim aquela canção novamente.” Então, o pássaro veio e pegou os sapatos com a sua patinha esquerda, e voou de volta para o telhado, e cantou:
A minha mãe, ela me matou,
"O meu pai, ele me comeu",
"A minha irmã, a pequena Marlenita,"
"Juntou todos os meus ossos",
"Amarrou-os bem firme num lenço de seda,"
"Os colocou debaixo do pé de junípero,"
"Piu, piu, que belo pássaro eu sou!”
E quando ele tinha cantado a canção inteira ele voou para longe. Na sua patinha direita ele tinha a corrente de ouro e na esquerda os sapatos vermelhos, e ele voou bem pra longe até encontrar um moinho, e o moinho fazia "clipe clape, clipe clape, clipe clape," e perto do moinho estavam vinte moleiros talhando uma pedra, e cortavam, “rique raque, rique raque, rique raque,” e o moinho fazia “clipe clape, clipe clape, clipe clape.” Então, o passarinho foi e se sentou num pé de laranja lima que ficava de frente para o moinho, e cantava:
A minha mãe, ela me matou,
Então, um deles parou de trabalhar.
"O meu pai, ele me comeu",
Então, dois outros pararam de trabalhar e começaram a ouví-lo.
"A minha irmã, a pequena Marlenita,"
Então, outros quatro pararam,
"Juntou todos os meus ossos",
"Amarrou-os bem firme num lenço de seda,"



Agora apenas oito estavam talhando a pedra,
"Os colocou debaixo"
Agora só cinco.
"do pé de junípero,"
E agora somente um,
"Piu, piu, que belo pássaro eu sou!”
Então, o último também parou de trabalhar, e ouviu as últimas palavras. “Passarinho,” disse ele, “como você canta bem! Deixe-me ouvir também. Cante mais uma vez para mim.”
— “Não,” disse o pássaro, “Eu não canto de graça duas vezes. Dá-me a pedra de moinho, e então, eu cantarei novamente.”
— “Sim,” disse ele, “se ela fosse só minha, tu poderias tê-la.”
— “Sim, concordaram os outros, “se ele cantar novamente, ele poderá ficar com ela.” Então, o pássaro desceu, e os vinte moleiros pegaram uma viga e levantaram a pedra. E o passarinho colocou o seu pescoço no buraco, e colocou a pedra como se ela fosse um colar, e voou para a árvore novamente, e cantou:
A minha mãe, ela me matou,
"O meu pai, ele me comeu",
"A minha irmã, a pequena Marlenita,"
"Juntou todos os meus ossos",
"Amarrou-os bem firme num lenço de seda,"
"Os colocou debaixo do pé de junípero,"
"Piu, piu, que belo pássaro eu sou!”
E quando ele acabou de cantar, ele abriu suas asas, e em sua patinha tinha ele tinha a pulseira, e na direita os sapatos, e em volta do seu pescoço a pedra do moinho, e ele voou para longe, para a casa do seu pai.
Na sala de jantar estavam o pai, a mãe e a pequena Marlineta, comendo, e o pai disse: — “Como me sinto com o coração leve hoje, como estou feliz! — “Não,” disse a mãe, “Sinto medo, parece que uma tempestade vai desabar sobre mim.” Marlineta, todavia, não parava de chorar, e então, o passarinho veio voando, e quando ele se sentou no telhado, o pai disse: — “Ah,” eu me sinto tão feliz de verdade, e o sol está brilhando majestoso lá fora, e me sinto como se fosse ver um velho amigo de quem sinto muita saudade.”
— “Não,” disse a mulher, “eu sinto tanto medo, que meus dentes estão batendo uns contra os outros, e parece que minhas veias queimam que nem fogo.” E ela soltou o corpete, mas a pequena Marlineta estava num canto chorando o tempo todo, e segurava o prato diante dos seus olhos, e chorava até que ele ficou completamente cheio de lágrimas. Então, o passarinho se sentou no pé de junípero, e cantou:
Minha mãe, ela me matou,
Então, a mãe tapou os ouvidos, e fechou os olhos, e não queria ver nem ouvir nada, mas havia um barulho tão forte em seus ouvidos como se fosse uma violenta tempestade, e os olhos dela queimavam e piscavam que nem relâmpago.
Meu pai, ele me comeu,
— “Ah, que lindo,” disse o homem, “como ele canta bonito! Ele canta tão de modo tão esplêndido e o sol brilha com tanto calor, e estou sentindo um cheiro parecido com o de canela.
Minha irmã, a pequena Marlenita,”
Então, Marlenita colocou a cabeça nos joelhos, e chorava sem parar, mas o homem disse, “Eu vou sair lá fora, eu preciso ver o passarinho bem de perto.” — “Oh, não vá,” disse a esposa, “Sinto como se toda a casa estivesse tremendo e pegando fogo.” Mas o homem foi para olhar o pássaro:
"Juntou todos os meus ossos",
"Amarrou-os bem firme num lenço de seda,"
"Os colocou debaixo do pé de junípero,"
"Piu, piu, que belo pássaro eu sou!”
E assim o passarinho deixou cair a corrente de ouro, e ela caiu exatamente em volta do pescoço do homem, e a corrente se fixou de modo perfeito no pescoço dele. Então, ele foi e disse:
— “Vejam só que pássaro lindo que ele é, e que belíssima corrente de ouro ele me deu, e como ele é majestoso!” Mas a mulher estava apavorada, e caiu no chão no meio da sala, e a touca que ela usava caiu da sua cabeça. Então, o pássaro cantou mais um pouquinho:
Minha mãe, ela me matou.
— “Ah, como eu gostaria que eu estive a trezentos metros de profundidade debaixo da terra para não ouvir isso.”, disse ela.
O meu pai, ele me comeu,
Então, a mulher caiu novamente como se ela estivesse morta.
“Minha irmã, a pequena Marlineta,”
“Ah, disse a garota, “quero sair para ver se o passarinho vai me dar alguma coisa,” e ela saiu.
"Juntou todos os meus ossos",
"Amarrou-os bem firme num lenço de seda,"
Então, ele lançou os sapatos vermelhos para ela.
"Os colocou debaixo do pé de junípero,"
"Piu, piu, que belo pássaro eu sou!”
Então, a menina estava feliz e com o coração leve, e ela vestiu os novos sapatos vermelhos, e dançava e dava voltas pela casa. — “Ah,” disse ela, eu estava tão triste quando eu saí lá fora e agora eu estou tão feliz; que pássaro maravilhoso, e ele deu para mim um par de sapatos vermelhos!”
— “Bem,” disse a mulher, e ela deu um pulo e ficou de pé e os cabelos dela se arrepiaram todo como se fossem chamas de fogo, “eu me sinto como se o mundo estivesse acabando! Eu também, vou sair lá fora para ver o se o meu coração também se sente mais leve.”

E quando ela saiu para fora da porta, crash! O pássaro derrubou a pedra do moinho sobre a cabeça dela, e ela ficou inteiramente esmagada pela pedra. O pai e a pequena Marlineta ouviram o barulho e saíram para fora, e havia fumaças, chamas, e fogo subindo por todos os lados, e quando tudo isso acabou, lá estava o pequeno irmão, e ele pegou o seu pai e a pequena Marlineta pelas mãos, e todos os três ficaram muito felizes, e eles entraram dentro de casa para jantar e comeram juntos.