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sexta-feira

Viver como as flores, Conto do Oriente


Viver como as flores

Era uma vez um jovem que caminhava ao lado do seu mestre. Ele perguntou:
- Mestre, como faço para não me aborrecer? Algumas pessoas falam demais, outras são ignorantes. Algumas são indiferentes, outras mentirosas... sofro com as que caluniam...
- Pois viva como as flores! - advertiu o mestre.
- Como é viver como as flores? - perguntou o discípulo.
- Repare nestas flores - continuou o mestre - apontando lírios que cresciam no jardim. Elas nascem no esterco, entretanto são puras e perfumadas. Extraem do adubo malcheiroso tudo que lhes é útil e saudável, mas não permitem que o azedume da terra manche o frescor de suas pétalas...
É justo angustiar-se com as próprias culpas, mas não é sábio permitir que os vícios dos outros nos importunem. Os defeitos deles são deles e não seus. Se não são seus, não há razão para aborrecimento. Exercite, pois, a virtude de rejeitar todo mal que vem de fora... Não se deixe contaminar por tudo aquilo que o rodeia... Assim, você estará vivendo como as flores!

Conto do Oriente

quinta-feira

Porque os Leopardos têm pintas, Conto africano


Porque os Leopardos têm pintas

Conto africano

O Leopardo era muito amigo do Fogo visitando-o todos os dias, embora este nunca fosse a sua casa. Estas visitas sucederam-se durante tanto tempo, que a mulher do Leopardo zangando-se com o marido, disse-lhe que o amigo nunca retribuía as visitas porque sabia que eles eram pobres e portanto não lhe interessava ir a casa deles.
E de cada vez que o marido saía de casa, ela dizia-lhe sempre a mesma coisa. Isto sucedeu-se também tantas vezes, que o pobre do Leopardo, já cansado das discussões com a mulher, pediu ao Fogo que lhe retribuísse a visita.
Ao princípio, o Fogo tentou escusar-se, dizendo que nunca ia a casa de ninguém porque não podia andar. Mas quando o amigo lhe perguntou se era porque eles eram pobres e lhe contou as discussões que, por causa disso, tinha com a mulher, insistindo muito na visita, o Fogo acabou por concordar, com uma condição: para ele poder chegar a casa do Leopardo, era necessário haver uma estrada de folhas secas que fosse desde a sua casa até à do amigo.
Muito contente, o Leopardo contou depois a conversa à mulher, que logo se pôs a apanhar folhas secas para fazerem o caminho.
Quando a passagem ficou terminada, o Leopardo combinou com o amigo a visita à sua casa no dia seguinte.
Estavam marido e mulher à espera do visitante quando sentiram um vento forte acompanhado de um ruído de coisas a estalar no exterior. Correram a ver o que se passava e viram o Fogo à sua porta. Este estendeu os dedos em chamas para cumprimentar o Leopardo, mas este e a mulher conseguiram fugir saltando por uma janela.

A casa ficou toda queimada e desde então, os Leopardos têm manchas pretas como lembrança dos sítios onde os dedos do Fogo tocaram no seu antepassado, fugindo assim que o sentem ao longe.

O Cheiro da comida e o som do dinheiro, contos chineses


O Cheiro da comida e o som do dinheiro

Certo dia, ao ver que o dono de um restaurante estava a agredir um pobre, Hocanasgar (Personagem bem conhecida pelas suas aventuras, da minoria étnica kazak) decidiu intervir.
- O que está a fazer? – perguntou ao dono do restaurante.
- Este pobre não quer pagar o que comeu.
- O que comeu ele? E quanto lhe deve? – quis saber Hocanasgar.
- Ele entrou no meu restaurante, tirou um pão do bolso, e ficou a contemplá-lo durante muito tempo. Só depois do cheiro da cozinha se infiltrar no pão é que ele começou a comer. O cheiro da minha comida não é de graça, por isso ele tem que me pagar!
- Tem toda a razão – disse Hocanasgar. E voltando-se para o pobre, perguntou: - Qual é a sua versão dos acontecimentos?
- De facto, entrei no restaurante. Queria pedir um prato, mas como são muito caros, o meu dinheiro não chega para eles. Ainda pedi algumas sobras, mas o dono do restaurante não quis dar-mas. Assim, fiquei a comer o meu pão, sentado à porta. Como se atreve ele a cobrar-me dinheiro por isso?
- Também está cheio de razão…Mas, diga-me, tem algum dinheiro por pouco que seja?
- Só tenho duas moedinhas.
- Dê-mas, que eu resolvo o assunto.
O pobre tirou o dinheiro do bolso e entregou-o a Hocanasgar. Este fez soar as moedas ao ouvido do dono do restaurante, devolvendo-as depois ao pobre, dizendo:
- Pode ir-se embora.
- Como pode deixá-lo ir sem pagar? – gritou o dono, furioso.
Então Hocanasgar explicou calmamente:
- Gosto de defender a justiça. Ele não comeu a sua comida, cheirou-a. Mas agora você também ouviu o som do dinheiro dele! Estão quites.


Fonte: Suoying, Wang e Ana Cristina Alves – Contos da Terra do Dragão – Ed. Caminho

O veado e a onça, Conto japonês


O veado e a onça

Conto japonês

Havia um veadinho que morava nas florestas. Um dia decidiu construir sua própria casa.

Andava de um lado para o outro, procurando o lugar apropriado para a casa. Até que conseguiu achar o lugar adequado. Era um lugar muito agradável. À noite, uma brisa vinha de longe e havia um riachinho por perto.

"É um lugar realmente bom. Vou construir minha cada aqui", pensava.

E, com esse pensamento em mente, correu para buscar lenha e alguns galhos de árvore. A noite estava chegando e ele queria deixar a madeira lá.

Na floresta havia também uma onça muito grande. Um dia, ela decidiu construir sua própria casa.

Andou muito pela floresta e finalmente achou o lugar. Era muito agradável.

Mas a onça não sabia que esse lugar ficava bem em frente ao lugar que o veadinho havia escolhido. A onça pensou, "muito bom lugar! E, olhem só: há galhos de árvore, areia e lenha aqui. Não sei quem carregou tudo isto, mas... obrigado assim mesmo!" E carregou a lenha, os galhos e a areia para construir a base da casa.

A madrugada estava acabando e a onça foi embora.

O veadinho voltou para o lugar com o raiar do sol. Achou estranho encontrar a lenha, a areia e os galhos em um lugar um pouco diferente daquele onde ele havia colocado, mas pensou consigo mesmo, "obrigado, amigo invisível, que já adiantou o trabalho para mim". E o veadinho levantou as paredes da casa, e fez as janelas. Foi embora ao cair da noite.

Assim que o veadinho saiu a onça chegou. "Maravilhoso! Vim para construir as paredes da casa mas já estão prontas! Obrigada, querido amigo, que está me ajudando na construção da minha casa!" E, assim, a onça completou o teto e o telhado da casa.

Quando a madrugada ía alta, vendo que a casa já estava quase pronta, a onça foi embora mais uma vez.

E, como sempre, o veadinho chegou ao local assim que o sol deu seu bom-dia. Ficou extremamente surpreso ao ver o teto e o telhado prontos. "Há alguém me ajudando nesta casa", pensava, "e está ficando muito boa. Hoje vou trabalhar bastante e a casa ficará pronta!" E o veadinho trabalhou o dia inteiro.

Trabalhou tanto e ainda sobrou tempo para pintar as paredes, as portas e as janelas. A casa estava pronta, finalmente! Entusiasmado, entrou na casa e foi tirar uma soneca.

A onça voltou à casa quando a noite chegou. Ficou alegre como nunca assim que viu a casa pronta. "Obrigada a você, amigo invisível, que tem me ajudado a construir esta casa!", era o que pensava a onça o tempo todo.

A onça entrou na casa, feliz da vida.

O quê? Havia alguém dormindo na cama. A onça gritou, furiosa:

— Quem é você, estranho? Esta é a minha casa. Caia fora, já!

O veadinho levantou-se rapidamente; ele não estava com medo da onça, e respondeu-lhe, com força:

— E você, quem é VOCÊ? Esta é a MINHA casa. Dê o fora, agora!

A onça ficou brava pra valer:

— Esta casa é minha! Eu mesma a construí!

O veadinho não se intimidava frente aos dentes da onça:

— Esta casa é minha. Minha, entendeu?

E os dois começaram a discutir. Gritaram e gritaram de manhã à noite. Depois de tanto brigarem, decidiram dividir a casa e morarem juntos. Como a noite já estava alta e eles estavam exaustos, foram se deitar imediatamente.

O veadinho, entretanto, não conseguia dormir. Todas as vezes que se virava para o lado, tentando achar uma posição mais confortável, as garras da onça acabavam machucando suas costas.

A onça, da mesma forma, não conseguia pregar o olho um só minuto, porque os chifres do veadinho cutucavam seu lombo.

A noite foi terrível para os dois moradores, que não tiveram um momento de paz e sono.


No dia seguinte, o veadinho e a onça começaram a discutir novamente e corriam um atrás do outro, sem cessar.

Gonbeesan, Conto japonês


Gonbeesan

Conto japonês

Esta é uma história bem antiga. Em uma pequena vila havia um servo velho de nome Gonbeesan. Perto de sua casinha havia um lago, desses meio pantanosos, onde ele costumava observar a chegada de vários patos-selvagens que vinham do norte, durante o outono.

Um dia, o velho servo decidiu pegar alguns patos-selvagens, já que não estava trabalhando com o arado. Desde aquele dia, começou a colocar armadilhas em alguns pontos do lago e conseguia pegar um pato a cada manhã.

Logo um pensamento veio-lhe à cabeça:

"Pego um pato todos os dias, e somente um. Isso é chato! Quero pegar cem patos! Isso: cem deles! Aí então poderei descansar os outros noventa e nove dias. Muito bem, é isso que farei!"

Gonbeesan trabalhou sem parar fazendo suas armadilhas a fim de realizar seu plano. Até que finalmente conseguiu montar cem armadilhas. Poderia, com elas, aprisionar um pato-selvagem em cada uma. Arranjou todas as armadilhas em fileira, fez laços apertados e esperou pela chegada dos patos.

A madrugada chegou rapidamente. Centenas de patos-selvagens estavam chegando ao lago, e, um a um, acabaram sendo presos pelas armadilhas. Gonbeesan estava radiante de alegria, e começou logo a contar os patos que tinha aprisionado. Pôde contar noventa e nove, todos eles imóveis, presos às armadilhas.

— Muito bem, muito bem... somente mais um e terei cem deles!, falou sozinho o velho, que ficou esperando pelo último pato-selvagem.

O pato esperado, entretanto, não chegou. Os outros patos já estavam resmungando por causa dos laços das armadilhas, e a aurora já despontava no horizonte.

Com os primeiros raios de sol, de repente todos os patos começaram a voar ao mesmo tempo. Noventa e nove patos voando, todos presos à mesma corda! Faziam um esforço enorme para levantar vôo, e, sem saber como, Gonbeesan caiu em uma das armadilhas e foi levado ao céu junto com os outros patos.

Os patos estavam voando para o sul. Gonbeesan era o último da fila, preso pelo pé, e estava com medo de cair; os patos voavam para o alto e mais para o alto, sobre as nuvens e sobre os montes. Olhou para baixo e viu que as casas estavam ficando cada vez menores. Então começou a gritar, "Socorro! Alguém me ajude! Quero descer!"

Os patos, por outro lado, pareciam não escutar o que ele dizia e continuavam a subir.

De repente, a corda que estava prendendo o pé de Gonbeesan rompeu-se. Ele estava caindo nuvens abaixo, em direção às verdes pastagens lá embaixo.

Mas... meu Deus! seu corpo estava ficando menor e cada vez menor! Surgiram asas no lugar de seus braços e um bico no lugar de sua boca! Gonbeesan havia se tornado um pato-selvagem! Agora ele podia voar com os outros, e foi o que fez.

Estava mais do que surpreso com tal mudança. Depois de voar algum tempo, sentiu fome e teve vontade de descer para comer algo. Como os outros patos, Gonbeesan procurava um lugar para pousar e procurar comida. Viu, finalmente, um lago pantanoso e decidiu dar uma esticada até lá.

Havia muitos peixes nadando logo abaixo a superfície da água. Agora ele podia matar a sede e comer alguns peixinhos.

Alguma coisa, porém, estava segurando seus pés. Voltou-se rapidamente para baixo e viu que estava preso em uma armadilha! A armadilha era semelhante àquelas que ele fazia antes. Não podia mover as pernas. Estava preso!

Uma tristeza profunda invadiu sua alma e pensou, "fui muito mau quando fiz aquilo com os patos-selvagens. Agora entendo como fui mau com eles!" Lágrimas começaram a escorrer pela face até o bico.

Algumas lágrimas desceram até a corda que estava prendendo seu pé, molhando-a. Curiosamente, a corda se soltou e seu corpo cresceu novamente. Agora ele era, milagrosamente, Gonbeesan, o velho servo feudal!


Desde esse dia Gonbeesan decidiu parar de aprisionar os patos-selvagens e prometeu ser um homem de boas-ações para o resto de sua vida.

O lobo e o pastor, Conto japonês


O lobo e o pastor

Conto japonês

Havia um pequeno pastor de rebanhos que vivia em uma vila perto de Hondo. Toda manhã ele tinha a obrigação de levar o rebanho de ovelhas para uma campina próxima à vila. Esta tarefa tinha que ser feita somente por ele, sem a ajuda de ninguém.

Um dia, já cansado de ficar sozinho e achando que seu trabalho era deveras chato, decidiu fazer algo diferente. Começou a gritar:

— Socorro, socorro! Tem um lobo aqui! Socorro!!!

Muitos homens que estavam trabalhando na vila escutaram seus gritos e foram à campina. Procuraram pelo lobo em todos os lugares ao redor, mas nem um sinal sequer do bicho foi visto.

Depois de procurar bastante, os homens voltaram à vila, com um pressentimento de que haviam sido ludibriados.

Enquanto os homens procuravam pelo lobo, o pastorzinho havia se escondido atrás de uma árvore grande.

Como não havia lobo a ser encontrado, o pastorzinho riu-se da situação:

— Isso é algo realmente engraçado!, e batia palmas, pulando de alegria.

Quatro dias se passaram e mais uma vez os homens da vila ouviram os gritos do pastorzinho.

— Socorro, socorro! Tem um lobo aqui! Socorro!!!

O menino gritava desesperadamente, e os homens correram para a campina. E, mais uma vez, passaram a tarde procurando o lobo, sem encontrarem um vestígio sequer. Finalmente entenderam que o menino estava pregando uma peça e decidiram não dar ouvidos aos seus gritos de socorro da próxima vez.

No dia seguinte o menino levou o rebanho para a campina. Mas, oh! agora era um lobo de verdade que estava vindo! Era enorme e parecia faminto.

O menino começou a gritar, a todo pulmão:

— Socorro! O lobo de verdade está aqui! Acreditem! Socorro!!!

O menino não sabia o que fazer.

Os homens da vila, entretanto, diziam entre si, "desta vez ele não vai pregar suas peças na gente de novo. Aquele danado... ninguém vai até lá!"


E o lobo estava lá. Mas ninguém foi ajudar o menino.

O omusubi rolante, Conto japonês


O omusubi rolante

Conto japonês

Um dia, um velho servo feudal foi às montanhas para cortar lenha. Era o meio-dia. O velho servo estava com fome e começou a comer os omusubi que ele havia carregado no bornal.

De repente, um dos omusubi caiu do bornal e rolou ladeira abaixo. Acabou entrando no buraco que existia na raiz de uma das árvores.

"Omusubi kororin sutonton... envie-nos mais omusubi!" Eram vozes que, surpreendentemente, o velho servo ouviu do interior do buraco.

"Estranho", pensou o velhinho, "muito estranho". Decidiu dar uma olhada no buraco; mas como o buraco estava completamente escuro, não pôde ver coisa alguma. Novamente pensou como tudo aquilo era estranho.

O velhinho resolveu deixar mais um omusubi cair no buraco para ver se aquela música viria de dentro novamente. Assustado, ouviu a mesma música: "Omusubi kororin sutonton... envie-nos mais omusubi!"

O velhinho riu até cair e disse, "Engraçado! É engraçado!!!", e pela terceira vez jogou mais um omusubi no buraco.

"Omusubi kororin sutonton... envie-nos mais omusubi!"

"Engraçado, engraçado!", dizia o velho servo, pulando de alegria como uma criança. Pensou consigo mesmo: "se eu pular no buraco, o que será que eles cantarão?" Logo em seguida o velhinho rolava para dentro do buraco.

"Ojiisan kororin sutonton... envie-nos mais velhinhos!"

Deus do céu! Nem acreditava no que via! O interior do buraco era um palácio, e o teto e paredes brilhavam magnificamente.

O velhinho estava atônito. Seus olhos estavam esbugalhados, e olhava para todos os lados.

E, para completar sua surpresa, havia coelhos — muitos, muitos! — dentro do buraco.

"Vovô, seja bem-vindo em casa", cumprimentavam o velho servo todos os coelhos do buraco.

Havia um coelho maior na frente de todos os outros coelhos. Ele disse, "Este é o País dos Coelhos. Por favor, fique à vontade e divirta-se".

Muitos coelhos trouxeram comidas deliciosas para o velho servo. E dançavam, e cantavam. Parecia que vivam em completa harmonia e gozo.

O velho servo começou a dançar e cantar com os coelhos. Estava se divertindo como nunca o fizera antes.

A noite estava despontando no horizonte e o velhinho disse aos coelhos, "Estou indo embora". O coelho maior trouxe alguns omusubi para ele. "Este é o omusubi do País dos Coelhos. É muito delicioso. Aceite este omusubi como um presente do nosso país".


O velho servo agradeceu-lhe, cumprimentou a todos os coelhos e voltou para casa. Ele nunca havia provado um omusubi tão gostoso como aquele.

As bodas do ratinho, conto japonês


As bodas do ratinho

Conto japonês

Era uma vez um bebê da senhora Rato. Era uma ratinha que crescia rápido, e havia nascido em bom lar.

O tempo passava e a ratinha tornava-se cada vez mais bonita. Seus pais estavam muito felizes com ela e não conseguiam esconder a alegria que sentiam.

Um dia o senhor Rato disse, "Quero que minha filha ratinha fique noiva de algum pretendente. O noivo, entretanto, tem que ser o mais importante do mundo, e não qualquer um". Esta idéia não saía da cabeça do senhor Rato.

Depois de algum tempo, o senhor Rato decidiu conversar com o Sol. O senhor Rato chegara à conclusão de que o Sol era o mais importante no mundo. Estava aguardando impacientemente o momento de falar com o Astro-Rei.

"Rei Sol, ó rei, tenho uma bela ratinha, filha minha, em casa. Meu desejo, do fundo do coração, é que ela seja tua noiva e tu sejas seu marido. Considero-te o mais importante no mundo. Por favor, aceita minha filha como tua noiva e casa-te com ela", dizia o senhor Rato, reverenciando com respeito o Sol.

"Estou realmente grato", retrucou o Sol, "mas infelizmente tenho que recusar tua proposta. Não sou o mais importante no mundo. Há alguém mais forte do que eu".

Senhor Rato ficou surpreso com a afirmação. "De quem tu estás falando?"

"Esse que é mais forte do que eu é o senhor Nuvem", respondeu o Sol. "Mesmo que eu lance fortes raios sobre a terra, o senhor Nuvem os encobre toda vez que assim o deseja. Não posso fazer nada com ele. Ele é, com certeza, mais importante do que eu".

Assim que ouviu isso, o senhor Rato decidiu conversar com o senhor Nuvem. E foi atrás dele.

"Sei que tu és o mais importante no mundo. Por favor, casa com minha filha. Gostaria que ela fosse tua noiva", pedia mais uma vez o senhor Rato ao senhor Nuvem.

Novamente o senhor Rato recebeu uma resposta negativa. "Há um que é mais forte do que eu: é o senhor Vento", dizia com delicadeza o senhor Nuvem.

E mais uma vez lá foi o senhor Rato atrás do senhor Vento. Incansavelmente repetia:

"Tu és o mais importante no mundo. Por favor, casa-te com minha filha".

Como era de se esperar, o senhor Vento também recusou o convite. "Tu não estás certo. O senhor Parede é mais importante do que eu. Mesmo que eu sopre com toda força, incessantemente, o senhor Parede está lá, de pé, nada sofrendo. Não posso fazer nada com ele".

E assim continuava o senhor Rato, firme em seus pensamentos. Procurou o senhor Parede e fez-lhe o mesmo convite. Novamente houve recusa e o senhor Parede explicou ao senhor Rato:

"O rato é o mais importante no mundo. Não posso detê-lo quando ele decide roer minha parede e fazer buracos em mim".


Depois de tanto vagar em busca do mais importante noivo para sua filha, o senhor Rato teve de aceitar a idéia de ter um genro rato. Finalmente encontrou o noivo ideal para a ratinha e as bodas de casamento ocorreram. O casal de ratinhos viveu feliz para sempre.

O Galo Recebe uma Coroa Vermelha, Conto Chinês


O Galo Recebe uma Coroa Vermelha

 Conto Chinês

Numa terra longínqua, no extremo oeste da China, a tribo de Miao, das altas montanhas, assistem ao sol se por atrás das montanhas do Tibet, e enquanto as sombras se alongam pelos campos, eles se reúnem para escutar ao contador de histórias que conta e reconta as lendas da tribo.
Há muito, muito tempo, quando o mundo havia acabado de ser feito, estas terras tinham seis sóis brilhando nos céus! Porém, numa certa primavera, após os fazendeiros trabalharem arduamente para fazer o plantio, as chuvas se recusaram a vir em seu tempo, e os sóis acabaram por secar toda a plantação.
Naquela época, o grande Imperador Yao governava a China. Quando ele viu esse desastre natural, ele se entristeceu muito, e seus conselheiros disseram:
Se os seis sóis continuarem a brilhar dessa forma, nosso povo certamente morrerá.
E os seis sóis continuaram a se levantar todas as manhãs e a queimar as plantações.
Então, os dez sábios do vilarejo se reuniram para discutir o que haveria de ser feito. Ao meio da conversa, um dos sábios disse:
-    A única solução é atirar e matar cada um deles.
O Imperador Yao ficou sabendo sobre tal resolução e mandou seus conselheiros reunirem os melhores arqueiros da região e trazê-los ao palácio. O que foi feito. Ali se reuniram os melhores e mais fortes arqueiros de toda a China, orgulhosos em poderem servir ao grande Imperador Yao.
O povo do vilarejo e os dez sábios se reuniram para assistir à demonstração de habilidade dos arqueiros, e assim que o Imperador chegou, eles lançaram suas flechas. Mas apesar de seus arcos serem grandes e suas flechas rápidas, nenhum deles conseguiu chegar sequer à metade da distância até os seis sóis causticantes que brilhavam nos céus.
Humildemente, os arqueiros aceitaram a impossibilidade de atingir os sóis com suas flechas.
Então, o Imperador Yao convocou o Príncipe Ho-Yi, que era conhecido como o melhor arqueiro de toda a China e propôs o desafio.
Mais uma vez, o povo se reuniu para assistir á demonstração da habilidade do arqueiro.
O Imperador ordenou:
-    Lance as seis flechas e destrua os seis sóis para salvar o meu povo.
Naquele momento, o Príncipe Ho-Yi viu os seis sóis refletidos no lago e pensou, “Talvez eu possa destrui-los por seus reflexos, onde minhas flechas certamente alcançam”. E lançou a primeira flecha em direção ao reflexo do primeiro sol, que ao ser atingido, afundou nas águas do lago. E continuou a lançar suas flechas sobre o segundo, o terceiro, até que chegou ao quinto sol.
Quando o sexto sol se deu conta do que estava se passando, ele rapidamente desapareceu num monte ali próximo. Os dez sábios se deram por contentes que os seis sóis haviam sido destruídos, e as pessoas retornaram às suas casas.
Porém, quando as pessoas acordaram após uma longa noite de sono, não havia “dia seguinte”, pois o sexto sol ainda estava com medo e não sairia da caverna em que havia se escondido. Então, os dez sábios se reuniram novamente, na escuridão, para determinar o que poderia ser feito. Decidiram que achariam alguém que conseguisse trazer o sexto sol para fora da caverna para que pudesse haver o “dia seguinte”.
Primeiro, trouxeram o tigre para que rugisse em frente a caverna. O tigre rugiu, rugiu e rugiu, mas o sexto sol ficou enraivecido, pois de nada apreciava aquele rugido barulhento, e disse:
-    Eu não vou sair!
Então levaram um boi, e o boi mugiu, mugiu e mugiu, mas agora, além de irritado, o sol começou a ficar deprimido com o mugido do boi, e disse:
-    Eu não vou sair, e essa é a minha palavra final!
E também foram levados o carneiro, o macaco, o cão e o porco, mas todo o esforço parecia piorar a situação.
Por fim, decidiram levar um belo e forte galo para que cacarejasse. Quando o galo cantou, o sol disse:
-    Mas que som adorável!
E saiu da caverna para ver que animal magnífico poderia produzir tal música para seus ouvidos. E ao sair, o sol brilhou mais uma vez, e as pessoas festejavam ao ver que o sol finalmente estava de volta ao horizonte.
O sol ficou tão lisonjeado com o canto do galo que ele mesmo confeccionou uma coroa vermelha para que ficasse ainda mais magnífico e majestoso.

E todas as manhãs, a partir daquele dia, o galo tem usado sua coroa vermelha para dar as boas vindas ao dia seguinte, cantando, e para que o sol se alegre e perca o medo de brilhar nas alturas mais uma vez.

O Cão em sua Busca pela Luz, Conto Coreano


O Cão em sua Busca pela Luz
 Conto Coreano

Era uma vez, num mundo bem distante, havia um planeta chamado Terra da Escuridão. Como o nome mesmo diz, não havia luz alguma ali, e a noite era perpétua. As pessoas dali eram acostumadas à escuridão e tinham os sentidos da audição e do olfato muito desenvolvidos, também sua percepção espacial era muito aguçada. Mas a verdade era que apesar de conseguirem viver suas vidas sem luz, as pessoas eram muito infelizes e deprimidas. Estavam cansadas daquela escuridão infindável. E eles diziam:
-    Como eu gostaria que houvesse luz!
-    Ah, se tivéssemos dia e noite, e não só noite!
-    A vida seria muito melhor se tivéssemos um pouco de luz!
É claro que o Rei da Terra da Escuridão também desejava a luz e começou a observar a Terra, que tinha seu sol e sua lua, portanto tinha luz ao dia e à noite. Pensou que por termos duas fontes de luz, levar uma delas para o seu mundo não nos faria tanta falta assim.
Acontece que na Terra da Escuridão havia uma imensa população de cães. Todos tinham um cão em casa, mas entre todos aqueles cães, havia um que era excepcional. Esse cão era grande, forte, de pelos espessos e de uma inteligência fora do comum. Além de todas essas qualidades, ele também possuía um focinho gigantesco. E seu focinho não só era gigante, como também suportava o contato com extremo frio e extremo calor. Aquele cão carregava em seu focinho até mesmo bolas de fogo, e por isso, seu nome era Bola de Fogo. O Bola de Fogo também era dotado das quatro patas mais ágeis de todo o planeta, e corria milhares de milhas num piscar de olhos.
Um certo dia, o Rei teve uma idéia, “Vou mandar o Bola de Fogo à Terra dos Homens para trazer aquele sol para o nosso mundo”. E assim o fez.
O povo já festejava a vitória do Bola de Fogo antes mesmo de ele partir em sua jornada. E assim que os preparativos foram feitos, Bola de Fogo partiu. A jornada era longa e o cão não parou sequer para descansar, e em pouco mais de dois anos, chegou ao sol.
Bola de Fogo abriu seu enorme focinho e cravou seus dentes no sol, tentando arrancá-lo do nosso céu. Mas ele simplesmente não conseguiu suportar tal calor por muito tempo. Humilhado, retornou ao seu mundo.
O Rei pensou, “Se o sol é quente demais para o Bola de Fogo, talvez a lua seja possível. E mandou Bola de Fogo buscar a lua. E Bola de Fogo voltou, confiante de que a lua ele conseguiria trazer, feliz em poder ajudar o povo de seu mundo.
Quando chegou à lua, cravou seus dentes e tentou arrancá-la de nosso céu, mas a lua era fria demais e seu corpo não suportava tamanho frio. Então cuspiu a lua de volta e voltou ao seu mundo, mais uma vez, derrotado.
Quando o Rei viu que ele havia falhado mais uma vez, ficou muito desapontado, mas não desistiu da idéia de que Bola de Fogo seria o único capaz de atingir seu objetivo.

E Bola de Fogo continuou, vez após vez, a voltar ao sol e depois à lua, tentando levá-los ao seu mundo para alegrar seu povo e agradar ao seu Rei, mas todas as tentativas foram em vão. Aliás, até hoje, Bola de Fogo continua viajando os céus e abocanhando a lua e o sol. Hoje, ele está velho, já não é tão forte ou veloz como um dia foi, mas ele não desiste. E cada vez que Bola de Fogo crava seus dentes com seu enorme focinho no sol ou na lua, um eclipse acontece. Por poucos instantes, ele sente que sua lealdade será recompensada, mas a dor é tamanha que a preservação de sua própria vida entra em jogo. E ele sabe que sua vida é importante e a preza por saber que um dia ele conseguirá honrar o pedido de seu Rei e levar a luz ao seu tão amado povo – Bola de Fogo é um verdadeiro herói.

O Porco que Era Esperto Demais, Conto Chinês


O Porco que Era Esperto Demais

 Conto Chinês

Era uma vez, muito tempo atrás, vivia na vila de Tsan-yang um senhor chamado Li. Todos o chamavam de Li Tai-yeh, ou Grande Mestre, pois ele era o homem mais rico da região. Sua fazenda era gigantesca e sua casa tinha cem aposentos e um enorme jardim. Ninguém tinha a mínima inveja dele, pois Li Tai-yeh, diferente da maioria das pessoas ricas, era muito generoso com sua riqueza. Seu amor por animais era bem conhecido na redondeza e os animais devolviam todo aquele amor a ele.
Com o tempo, Li Tai-yeh passou a ter um grande número de animais e muitos tipos deles em sua fazenda. Alguns foram comprados de mercadores, mas a maioria passava por sua fazenda e por serem bem alimentados acabavam ficando. Li Tai-yeh nunca pediu nada em retorno, ele simplesmente cuidava dos animais por amor. Mas acontece que instintivamente, os animais sentiam a necessidade de ajudá-lo em tudo o que pudessem.
O cão negro ficava de guarda e protegia a fazenda de qualquer estranho que se aproximasse. O grande galo sempre acordava os trabalhadores pela manhã, fizesse sol ou chuva, ele estava lá pontual cumprindo seu dever. O gato-do-mato, que tinha listras amarelas e pretas, era chamado de Pequeno Tigre. Ele tinha uma alma independente e passava o dia passeando pela fazenda, mas à noite, ele protegia a casa dos ratos. O cavalo levava o filho de Li para a escola, o boi puxava a carroça e o  carneiro retirava o capim que crescia entre as plantações de arroz. Todos eles ajudavam com muita dedicação e ficavam contentes em poder retribuir os bons cuidados de Li. Quer dizer, todos, com exceção do porco.
Este porco era um animal esperto chamado Chu Lao-erh. Ele observava o que acontecia ao seu redor e pensava, “Já que todos estão trabalhando menos eu e o mestre continua a me alimentar, por que eu deveria trabalhar? Ele não me pede para fazer nada, então eu vou mesmo é continuar comendo e descansando.”
Então, Chu Lao-erh comia o dia todo, rolava na lama e ficava imundo e fedorento para que nenhum animal ousasse se aproximar dele. Todos os dias, ele dormia até o meio-dia, bem a hora do seu imenso almoço. Comia até não poder mais e cochilava até a hora do jantar. E após o jantar, dormia até o dia seguinte.
Vez ou outra, algum animal se aproximava dele e dizia:
-    Por que você não se levanta e faz algo de útil?  Você deveria perder peso, você está muito gordo.
Mas Chu Lao-erh fingia que não estava entendendo o que estavam dizendo e ficava sem responder. Ele gemia, virava para o outro lado e dormia de novo.
Como resultado, Chu Lao-erh ficou tão gordo, mas tão gordo que, mesmo se quisesse trabalhar, não conseguiria. Às vezes, até para comer se sentia cansado. Começou a reclamar que sua comida não era bem preparada, não chegava na hora certa. Como se sabe, reclamações sempre trazem algum resultado.
As pessoas da fazenda passaram a achar que o porco não estava se sentindo bem por causa da comida e começaram a preparar melhores alimentos para ele. Mas enquanto isso, o vizinho de Li visitou a fazenda e viu o porco. E disse a Li:
-    Este porco não faz nada para você! Ele é completamente inútil! Eu troco oito patos com você por este porco. Pelo menos os patos te darão ovos.
Li ficou triste, pois sabia que a família de seu vizinho era muito pobre e não conseguiria dar ao seu porco o mesmo tipo de alimentação. Mas entregou o porco ao vizinho.
Seu vizinho amarrou Chu Lao-erh e com ajuda de mais duas pessoas, levou-o ao mercado. Era inverno e as pessoas pagavam muito pela gordura do porco, e Chu Lao-erh rendeu-lhe muito dinheiro para cuidar de sua família.

“Tsung-ming pei tsung-ming wu”, ou, “Os espertos geralmente caem nas armadilhas de sua própria esperteza”.

O Macaco Retribui uma Bondade, Conto Japonês


O Macaco Retribui uma Bondade

 Conto Japonês

Há muito tempo, numa vila de pescadores na ilha Kyushu ao sul do Japão, vivia contentemente um pescador muito esforçado e trabalhador com sua esposa e seu filho, que ainda era um bebê.
Um certo dia, quando a maré estava baixa, sua esposa colocou o bebê nas costas e saiu com suas vizinhas para recolher as conchas da praia. O tempo estava ótimo naquele dia, então a praia estava repleta de pessoas, todas em busca das conchas perfeitas.
Para facilitar seu trabalho, a esposa do pescador tirou o bebê das costas, deitou-o sobre um cobertor numa grande rocha e pediu ao filho de sua vizinha que o vigiasse. Agora que estava livre do peso do bebê, voltou ao trabalho.
Enquanto recolhia as conchas, ela percebeu que um macaco brincava na praia há alguma distância de onde estavam. Parecia ter vindo de alguma montanha da proximidade. Então disse a uma de suas vizinhas:
-    Olhe aquele macaco ali. O que será que ele está fazendo? Vamos ver mais de perto!
Quando chegaram perto o suficiente, perceberam que uma grande concha havia se fechado numa das patas dele e ele lutava para se livrar dela. E a esposa do pescador disse:
-    Ah! Agora entendi o que está acontecendo. Ele deve ter tentado tirar a carne de dentro da concha e esta se fechou em sua pata.
A cena era surpreendente, pois quanto mais o macaco tentava tirar a pata dali, mais a concha tentava se enterrar na areia. Algumas pessoas se aproximaram com pedras, decididas a matar o macaco, pois desprezavam tal animal, já que os macacos estragavam plantações e assustavam os animais das fazendas. Mas a esposa do pescador foi tocada pelo sofrimento do pobre animal e pediu que deixassem-no em paz.
Enquanto isso, a maré subia e ondas enormes começaram a estourar na praia, e muitas pessoas que recolhiam conchas foram embora para suas casas. Mas, a bondosa esposa do pescador ajudou o macaco até que se livrasse da concha, e sentida também pela concha, enterrou-a fundo na areia úmida. E disse ao macaco:
-   Vou pedir a você que não mais roube de nossas fazendas.
Parecia que o animal havia entendido seu pedido, e mesmo assim, num segundo, ele pulou até a rocha onde estava o bebê da esposa do pescador, pegou-o com cobertor e tudo e correu em direção às montanhas.
A mulher ficou chocada com tamanho gesto de ingratidão. Enfurecida, ela gritava:
O macaco me retribuiu a bondade com maldade!
E corria atrás dele. Os vizinhos que ainda estavam ali começaram a criticá-la por ter poupado a vida do macaco.
Mesmo com o bebê em seus braços, o macaco corria tão rápido que ninguém conseguia alcançá-lo. Em meio aos prantos daquela mulher para que ele devolvesse o bebê, o macaco subiu numa árvore muito alta e chegou ao galho do topo. As pessoas cercaram a base da árvore, mas não havia nada que pudessem fazer. Um dos pescadores saiu em busca do pai do bebê.
Enquanto isso, o macaco segurava o bebê com seu braço direito e com o esquerdo segurava-se no galho e balançava para cima e para baixo. O bebê, sentindo-se incomodado, começou a chorar e a gritar. Sua mãe, lá embaixo, sentia que seu coração fosse parar de tanto desespero.
Neste momento, uma águia imensa começou a rondar o céu em volta da montanha. A preocupação daquelas pessoas agora era que a águia pudesse pegar o bebê. A mãe fechou os olhos e começou a pedir que Buda protegesse seu filho.
Quando a águia mergulhou em direção ao bebê, o macaco soltou o galho, que disparou em direção a cabeça da águia, que morreu instantaneamente. O enorme pássaro caiu no chão, e nesse momento o macaco repetiu o que havia feito, pois uma segunda águia mergulhava em direção ao bebê. No momento certo, o macaco fez o mesmo. E aconteceu que matou cinco águias da mesma forma. As pessoas do vilarejo assistiam espantadas àquela incrível luta, e finalmente compreenderam que enquanto o macaco lutava para se livrar da concha na praia, ele havia percebido que as águias sobrevoavam a rocha sobre a qual o bebê se deitava, portanto, assim que se livrou da concha, correu para salvar o bebê.
Uma vez terminada a batalha e o perigo fora de alcance, o macaco desceu da árvore e deitou o bebê aos pés da mãe, e voltou para o topo da árvore. Quando o pai do bebê chegou, tudo já havia sido resolvido, e as pessoas da vila se alegraram e comemoraram juntas o final feliz de uma história que parecia só poder ter um fim trágico, e voltaram às suas casas.

O pescador, por sua vez, obteve grande lucro com os mercadores locais, pois vendeu cada uma das penas das cinco águias que o macaco havia derrotado.